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O Calango e o Carcará

V5

[Intro ] (voz rouca, meio falada) No chão quente do sertão... a poeira sobe devagar... lá em cima tem um olho vivo... esperando o tempo passar... --- [Verso 1 ] Calango corre ligeiro, no pó da beira da estrada, acha que o mundo é inteiro, mas corre pra quase nada. Risque o chão com sua pressa, rabo fino feito faca, quem vive fugindo do vento, um dia o vento carrega e ataca. --- [Verso 2] Carcará lá de cima, vê tudo sem fazer som, não precisa ter veneno, o olhar já faz o tom. Ele espera o sol baixar, pra sombra revelar, onde o calango tropeça, é ali que vai pousar. --- [Refrão ] Carcará não grita, não, Carcará só mira. Bate asa, corta o chão, feito navalha que gira. No rasante do trovão, o silêncio é quem atira... --- [Verso 3 ] “Ô calango apressadinho, corre, corre sem direção... quem pisa demais na areia, vira parte do chão.” Disse o bicho do alto, com pena e com ironia, “eu não corro atrás da fome — deixo ela vir todo dia.” --- [Refrão ] Carcará não grita, não, Carcará só mira. Bate asa, corta o chão, feito navalha que gira. No rasante do trovão, o silêncio é quem atira. --- [Final ] E o vento levou o resto... ninguém viu, mas entendeu: quem corre demais no mundo... esquece pra onde cresceu.