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DESCONSIDERAÇÃO DO ECOLOGISMO

(estrofe 1) Eu conto o cristianismo pelo chão que sangra Pela árvore ferida que ainda canta e aguarda A fé que esquece o barro de onde nasceu Perde o nome do Deus que a concebeu (estrofe 2) Houve púlpitos feitos de pedra e cifrão Onde a terra virou simples provisão Chamaram de progresso o que era ferida E oraram sem ouvir o gemido da vida (estrofe 3) A criação virou cenário descartável Enquanto o lucro se fez incontestável Mas o Gênesis ainda insiste em lembrar Que guardar é tão santo quanto plantar (refrão) A terra é altar que insiste em falar Quem fere o jardim não aprende a amar Não há céu possível na devastação O cristianismo começa na criação (estrofe 4) Vestiram a Bíblia com capa de contrato Assinaram silêncio diante do extrato Rios viraram números, florestas estatística E a fé perdeu sua voz profética (estrofe 5) Jesus caminhava sentindo o chão Falava em sementes, vento e pão Quem ignora a linguagem da natureza Não entendeu a parábola da mesa (refrão) A terra é altar que insiste em falar Quem fere o jardim não aprende a amar Não há céu possível na devastação O cristianismo começa na criação (estrofe 6) Não é ecologia contra espiritualidade É fidelidade contra irresponsabilidade Pois quem louva o Criador de mãos vazias Precisa respeitar o corpo dos dias (estrofe 7) Contar o cristianismo é reaprender Que a salvação inclui o modo de viver Se a fé não protege o que Deus chamou de bom Ela trai o Éden em nome do dom (refrão) A terra é altar que insiste em falar Quem fere o jardim não aprende a amar Não há céu possível na devastação O cristianismo começa na criação