(estrofe 1) Eu olhava o céu tentando compreender, Como tudo começou, antes de tudo nascer; Se havia um princípio, onde o princípio começou, E o que existia antes de aquilo que existe se formar. (estrofe 2) Pensava no espaço sem saber onde termina, Na distância das estrelas, na vastidão que fascina; Quanto mais longe eu tentava meu pensamento levar, Mais longe o próprio mistério parecia se encontrar. (estrofe 3) Eu perguntava ao tempo onde estaria seu começo, Se passado e futuro tinham algum endereço; Se o tempo corre sempre ou poderia parar, E se haveria eternidade antes de o tempo começar. (estrofe 4) Também pensava em Deus, invisível e infinito, Tentando compreender o eterno e o bendito; Se Deus criou o universo, quem poderia explicar Como o próprio Criador poderia existir sem começar? (refrão) Tenho saudades de mim diante do mistério profundo, Quando eu perguntava como começou este mundo; Universo, tempo, espaço, Deus e imensidão, Despertavam maravilha dentro do meu coração. (estrofe 5) Eu imaginava um universo sem nenhuma criação, Sem estrelas, sem planetas, sem matéria ou dimensão; E então me perguntava, com espanto ainda maior, Como imaginar o nada sem imaginar algo ao redor? (estrofe 6) Pensava no infinito, impossível de alcançar, Como uma estrada sem começo nem lugar para terminar; Minha mente construía fronteiras para depois desfazer, Pois o infinito ultrapassava aquilo que eu podia entender. (estrofe 7) As estrelas pareciam pequenas no céu distante, Mas cada uma podia guardar um mundo fascinante; E eu me sentia pequeno diante daquela amplidão, Sem me sentir insignificante, mas parte da criação. (refrão) Tenho saudades de mim diante do mistério profundo, Quando eu perguntava como começou este mundo; Universo, tempo, espaço, Deus e imensidão, Despertavam maravilha dentro do meu coração. (estrofe 8) Eu sabia que a ciência podia muito investigar, Medir distâncias, observar, calcular e comparar; Mas havia perguntas que pareciam permanecer Além de toda resposta que eu pudesse compreender. (estrofe 9) Então descobri que não saber também pode ensinar, Pois há mistérios que nos convidam simplesmente a contemplar; A dúvida não precisava destruir minha convicção, Podia abrir novas portas dentro da imaginação. (estrofe 10) Hoje ainda contemplo esse enigma sem igual, Entre a razão humana e o mistério universal; Talvez compreender tudo jamais seja meu destino, Mas continuar perguntando mantém vivo meu menino. (ponte) Lamento as vezes em que deixei de contemplar, Quando achei que precisava de tudo explicar; Por medo do mistério, perdi a admiração, E deixei adormecer minha antiga imaginação. (refrão) Tenho saudades de mim diante do mistério profundo, Quando eu perguntava como começou este mundo; Universo, tempo, espaço, Deus e imensidão, Despertavam maravilha dentro do meu coração. (refrão final) Hoje eu amo quem sou diante do que não sei, E alegremente abraço tudo aquilo que ainda buscarei; Se a tristeza chegar, também terá seu momento de existir, Eu me amo, olho o infinito e continuo a descobrir.