
Vá Você nunca quis mesmo ficar Mesmo com as portas abertas Nunca quis entrar Nem mesmo morar Então, vá Você sempre foi bem vindo Era meu convidado O mais desejado Mas nunca aceitou participar Sempre esteve ausente Nunca veio celebrar Enquanto todo mundo festejava Eu só assistia de longe Com um sorriso fingido O peito apertado Com um coração partido Dizendo que eu estava feliz Eu ainda nutria esperanças Em te ver chegar Vá Pode ir correndo Você nunca quis passar por aqui Eu poderia ter te levado Para muitos lugares Eu poderia ter te apresentado Para muitas pessoas Adoraria que minha avó Tivesse te conhecido Mas você sempre se escondeu tanto Nem tive tempo de te apresentar Vá Eu fiz de tudo pra você chegar Eu escrevi cartas, fiz rituais Aprendi orações e simpatias Tudo o que eu lia Coisas que me ensinavam E eu astutamente aprendia Eu colocava em prática Rosas e copos com água Quadros e fotos Olhos fechados para visualizar Músicas para me inspirar Vá Porque eu fiz de tudo Gastei toda a minha vida Pra você poder entrar Preparei a minha casa Benzi meu corpo Despertei a alma Pra te enxergar Nada adiantou Então, me faça um favor Vá Vá embora! Desapareça de vez Não ouse passar pelos meus olhos cansados Ou tente acelerar Meu coração solitário Você não é pra mim Talvez, hoje, eu não entenda Talvez eu ainda questione Mas é melhor assim Insistir em sua presença É cortar uma ferida não cicatrizada E ver o sangue jorrar Sem sentir dor ou estancar Vendo os rastros pelo caminho Vá embora, Amor Sentimento injusto Eu te expulso De onde nunca quis morar É curioso Mas pra mim, você está morto Eu fecho a porta E não se atreva a bater Se você nunca entrou Não abrirei pra você.

