Intro: (Sussurro, quase oração) No silêncio antes do som, a alma se abre em ré maior. E o que não se diz, se canta. E o que não se canta, arde. Verso 1 O vento traz cinza de um sonho antigo, pegada de alguém que nunca partiria. Na peça, o tempo ensaia um desfecho, mas eu me recuso a sair do palco. Refrão Acende o céu, que é fogo de poesia — o corpo é viola, a noite é melodia Verso 2 Teu nome é eco que nunca se cala, é verso que escorre da boca da lua. Eu carrego teu cheiro como quem carrega fome, e a noite me espreme em suas costas nuas. Refrão Acende o céu, que é fogo de poesia — o corpo é viola, a noite é melodia. Verso 3 Há guerra nos joelhos que ainda me dobram, há paz na tua voz que ainda me abraça. Eu sou ferida e festa no mesmo compasso, sou chama que dança sem medo de abraçar a cinza. Refrão Acende o céu, que é fogo de poesia — o corpo é viola, a noite é melodia. Bridge Quando tudo apagar, quando o som se calar, ainda assim, haverá em mim um acorde que não se apaga, um verso que não se rende. E mesmo sem luz, eu canto. E mesmo sem voz, eu ardo. Refrão Acende o céu, que é fogo de poesia — o corpo é canto, a noite é sinfonia. Outro Então deixa o céu em brasa, deixa o corpo em desafino. Que a poesia não é feita de acerto — é feita de fogo. E eu ardo. E eu canto. E eu ardo. ---