Caguei-me Toda (Amália Almeida) Intro Ai Nossa Senhora de Fátima… Dai-me forças… Porque há dores que não vêm da alma… Vêm de mais abaixo… ⸻ Verso 1 Levantei-me pela manhã Sem receios nem temor O céu estava tão bonito Prometia um dia de amor Bebi café com torradas Li as notícias do jornal Sem imaginar que me aguardava Uma tragédia colossal ⸻ Refrão Caguei-me… Caguei-me toda… Nunca pensei que o destino Me pregasse tal derrota Caguei-me… Caguei-me toda… E a pouca dignidade que tinha Foi-se embora naquela hora ⸻ Verso 2 Ainda tentei resistir Com coragem e compostura Mas havia forças maiores Do que a minha estrutura Cada passo era um milagre Cada movimento uma aflição E a minha alma abandonava Qualquer esperança de salvação ⸻ Pré-Refrão Prometi mudar de vida Prometi beber menos café Prometi tudo aos céus Mas já ninguém tinha fé ⸻ Refrão Caguei-me… Caguei-me toda… Foi uma tragédia antiga Vestida de forma moderna Caguei-me… Caguei-me toda… E ouvi ao longe os anjos A cantarem “já foste” ⸻ Ponte Os pássaros continuavam a cantar… As flores continuavam a abrir… Os carros continuavam a circular… Mas para mim… O mundo tinha parado… ⸻ Clímax Há amores que nos marcam Há saudades que não passam Mas há acontecimentos Que ultrapassam qualquer desgraça E naquele instante percebi Uma verdade universal Nenhum ser humano está preparado Para um desastre intestinal ⸻ Último Refrão Caguei-me… Caguei-me toda… E Lisboa continuou igual Como se nada tivesse acontecido Caguei-me… Caguei-me toda… Mas dentro do meu coração Morreu qualquer ilusão ⸻ Final falado Hoje conto esta história… Sem vergonha… Sem rancor… Porque há derrotas na vida… Que não escolhem vencedores… E naquele dia… A vitória… Não foi minha…