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🎼 Sonetos Só - VI 🎼

[Intro] [Instrumental long intro] [Verse 1] [Spoken voice] Cada dia que passo sem sua presença... Sou um presidiário cumprindo sentença Sou um velho diário jogado na areia esperando que você me leia Sou pista vazia... esperando aviões… A onda veio e me levou Desse lugar e agora eu sou Uma ilusão, a solidão é meu troféu… Que eu queria poder te dizer sem palavras... Eu queria poder te cantar sem canções Eu queria viver morrendo em sua teia Seu sangue correndo em minha veia Seu cheiro morando em meus pulmões… Nem todo amor é em vão Nem toda crença, ilusão Nem todo Deus, comunhão Nem todo pecado, perdão Nem tudo que se dança é baião Nem tudo que sobra é lixão Nem toda poesia é refrão Nem tudo que se dança é baião… Você chegou querendo Tudo que o tempo não te deu E que levou de você; Sem saber que você já sou eu… [Violino solo] [Instrumental house interlude] [Bridge] [Verse 2] [Spoken word] Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas. Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim esse atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios [Violino solo] [Instrumental long outro] [Outro] [End]