
(estrofe 1) Quando a tarde entrega o campo à noite, E o céu veste estrelas de serena cor, Um pequeno grilo rompe o açoite Do silêncio profundo com seu cantor. (estrofe 2) Escondido entre folhas e capim, Ninguém lhe contempla a simplicidade, Mas seu canto percorre o jardim, Enchendo de vida toda a tranquilidade. (estrofe 3) Não possui o porte da velha montanha, Nem a imponência do grande luar, Mas transforma a noite que o acompanha Com a coragem de sempre cantar. (estrofe 4) Seu corpo é pequeno, seu som persistente, Jamais se intimida diante da amplidão, Como quem sabe, discretamente, Que toda existência merece expressão. (refrão) Ó pequeno grilo de humilde canção, Que enches a noite de inspiração, Ensina que a força do coração Também floresce na pequena voz em ação. (estrofe 5) A brisa acompanha seu ritmo constante, As árvores ouvem sua melodia, E a lua derrama um brilho distante Sobre o concerto da natureza em harmonia. (estrofe 6) Enquanto muitos desejam grandeza, Ele se contenta em simplesmente soar, Provando que existe rara beleza Na coragem de se manifestar. (estrofe 7) Seu canto atravessa a mata escura, Sem conhecer aplausos ou distinção, Pois quem vive com alma pura Não mede o valor pela dimensão. (refrão) Ó pequeno grilo de humilde canção, Que enches a noite de inspiração, Ensina que a força do coração Também floresce na pequena voz em ação. (estrofe 8) Cada nota parece uma semente Lançada no solo da escuridão, Mostrando que um gesto persistente Pode transformar toda a percepção. (estrofe 9) Há vozes discretas que mudam a história, Sem ocupar palcos ou multidão, Como o grilo que grava na memória Seu hino de perseverança e dedicação. (estrofe 10) Quando o amanhecer dissolve a madrugada, Seu canto repousa na recordação, Deixando gravada uma doce jornada: Até o menor possui sua missão. (refrão) Ó pequeno grilo de humilde canção, Que enches a noite de inspiração, Ensina que a força do coração Também floresce na pequena voz em ação.

