
(Estrofe 1) No centro antigo da fé levantada, ardia o altar na praça sagrada, onde o sangue subia em vapor como ponte entre o homem e o Senhor. (Estrofe 2) Levítico ordena o ritmo do culto, cada gesto, cada oferta e insulto do erro humano que ali se expunha em chama que a culpa consuma. (Estrofe 3) O cordeiro, o novilho, a ave ofertada, vida entregue na lâmina afiada, como se o céu pedisse, em sua razão, o preço da vida em compensação. (Estrofe 4) E assim se formou no imaginário um Deus dependente do sacrifício diário, como se a chama do altar acesa sustentasse a divina certeza. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová do altar, que exige sangue para se aproximar, em Jesus revelas nova direção: o centro da fé é o vivo coração. (Estrofe 5) Então Cristo surge na história humana e desloca o eixo da fé soberana, não mais na oferta que sobe em calor, mas na vida que pulsa em amor. (Estrofe 6) Ele diz que Deus busca adoradores que o sirvam em espírito e valores, não presos à forma ritual mas ao encontro real e pessoal. (Estrofe 7) O templo já não limita o sagrado, nem o altar define o consagrado, pois o coração que aprende a amar torna-se espaço do habitar. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová do altar, que exige sangue para se aproximar, em Jesus revelas nova direção: o centro da fé é o vivo coração. (Estrofe 8) Percebo então na jornada vivida quantas vezes prendi minha lida a práticas externas de devoção sem mergulhar na transformação. (Estrofe 9) Mas Cristo ensina, com voz serena, que Deus não se prende à forma pequena, nem mede o homem pela oferenda, mas pelo amor que dentro se estenda. (Estrofe 10) Assim o sagrado deixa o lugar de objetos, ritos e altar, e passa a habitar com profundidade no íntimo vivo da humanidade. (Ponte) Perdoa-me, Senhor, por tantas liturgias em que defendi antigas vias, pensando que Te alcançava no exterior, quando Te afastava do meu interior. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová do altar, que exige sangue para se aproximar, em Jesus revelas nova direção: o centro da fé é o vivo coração. (Refrão Final) Agora descanso em Ti, Deus-Amor, sem medo, sem peso, sem dor, pois sei que jamais exigirás separação, Tu habitas para sempre em meu coração.

