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Partida de futebol - Ana Corujo

V3.5

Naquele vinho à meia luz, você me deu a camisa do seu time só para mostrar que ia ser sua. Entrei em campo. Deslizei pelo seu corpo tenso, moído já de tantas outras partidas. Você é um grande jogador que sabe puxar os cabelos e as jogadas para você. Arranhei suas costas até ficarem vermelhas como minhas unhas. Pontos dentro, pontos fora, mesmo não estando numa competição. Estamos nos conhecendo, nos apaixonando, ou só nos devorando. Estamos nos conhecendo, nos apaixonando, ou só nos devorando. Te massajei com os pés, meus peitos, minha língua e você circulou suas mãos grandes pelo meu corpo. Me cheirou, olhou nos meus olhos. Podia passar noventa minutos só nos olhando. Não foi rápido e delicado, mas foi rápido e muito, muito delicado. Estamos nos conhecendo, nos apaixonando, ou só nos devorando. Estamos nos conhecendo, nos apaixonando, ou só nos devorando. Antes de você me pedir, te engoli com vontade em um sobe e desce molhado só para te lambuzar e mostrar que ia ser meu. Pedi que me chamasse de Maria Chuteira. As excitantes palavras sujas eram gritadas e misturadas às juras. Erámos assim, íntimos de tensão elástica, com voz doce. Me conheço sem te conhecer e você me come sem me conhecer. Estamos nos conhecendo, nos apaixonando, ou só nos devorando. Estamos nos conhecendo, nos apaixonando, ou só nos devorando. Você apertava o escudo do seu time sobre o meu peito. E num balanço tricolor gozamos a vitória, a glória. Assim como se faz numa final de campeonato. Noventa minutos não de disputa, mas de adrenalina cúmplice, metida ou até mentida. Estamos nos conhecendo, nos apaixonando, ou só nos devorando. Estamos nos conhecendo, nos apaixonando, ou só nos devorando. O São Paulo não é o meu time, assim como não sou sua mulher. Da próxima vez, traz a camisa do flamengo.