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Marla

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V5.5

[Intro - spoken, low voice] Segunda-feira no porão Café queimado, luz de necrotério Cada santo com sua prestação Cada trauma com vocabulário sério Eu não buscava absolvição Nem mapa astral, nem manual Só teu vulto na contramão Rindo do apocalipse emocional [Verse 1] Segunda-feira, grupo espiritual Gente em frangalho vendendo ascensão Um místico coach, sorriso cordial Vendia nirvana por assinatura anual Teu olho riscou a fumaça cinza Como lâmina em vitral pagão Meu Deus cuspiu na cornija E pediu baixa da instituição Terça-feira, grupo do desejo Nome postiço, culpa no espelho Todo afeto em modo despejo Toda carícia com juros no vermelho Sexo barato, amor rarefeito Pele em liquidação no breu Cada beijo fingindo conceito Cada corpo terceirizando o seu Quarta-feira, sala sem liturgia Você riu da minha pose de aço Disse: “Tyler, tua anarquia Usa terno, trauma e disfarce de palhaço” Eu disse: “Marla, o mundo perdeu o tesão” Você: “perdeu nada, vendeu parcelado” E a gente brindou com danação Num copo plástico mal lavado [Pre-Chorus] Eles querem vigiar Indexar, punir, catequizar Fiscal de cu com vocação De padre, síndico e patrão Querem nos classificar Num formulário de boa intenção Mas a cidade começou a trincar E ainda cobram documentação [Chorus] Marla, Marla O mundo cede e eu cedo a você Marla, Marla Pouco afeto, muito prazer Marla, Marla Se a cidade ferve, deixa ferver Marla, Marla No fim do mundo eu volto pra você Marla, Marla Eles julgam pra não se ver Marla, Marla A gente peca pra sobreviver [Verse 2] Quinta-feira, grupo dos sem nome Todo puro quando ninguém consome Fome de pele, falta de fome Fé de vitrine, beijo de clone Um cara falou de transcendência Com a mão tremendo no celular Postou “gratidão” com urgência E saiu dali sem se importar Sexta-feira, recaída geral Todo santo com seu ritual fiscal Pix, promessa, guru digital Cura expressa, trauma anal Você sussurrou no corredor Que Eros morreu de exposição Virou vitrine, mercado e clamor Desejo em alta definição Eu disse: “amor virou assinatura” Você: “cancela antes de sofrer” A gente fez da própria fissura Um jeito torto de permanecer [Pre-Chorus] Eles querem vigiar Quem sangra bonito, quem pode amar Fiscal de cu com crachá de dor Fiscalizando até o calor Querem higienizar Nosso vício de existir Mas o sistema começou a tombar E ninguém quer assumir [Chorus] Marla, Marla O mundo cede e eu cedo a você Marla, Marla Pouco afeto, muito prazer Marla, Marla Se a cidade ferve, deixa ferver Marla, Marla No fim do mundo eu volto pra você Marla, Marla Eles julgam pra não se ver Marla, Marla A gente peca pra sobreviver [Bridge - slower, darker] Sábado sem grupo, sem santo Só teu riso rasgando meu quarto A agonia do Eros no lençol Dois animais sem Deus, sem farol Você me chama pelo nome errado Eu viro mito, ruído, mercado Tyler gargalha dentro de mim Marla, não promete o fim Lá fora a moral posa em retrato Com legenda sobre empatia Mas quer sangue barato no prato Quer nude, quer culpa e auditoria Quer pureza com dedo em riste Quer perdão com recibo fiscal Toda virtude quando insiste Vira polícia sentimental [Final Chorus - bigger, repeated] Marla, Marla O mundo cede e eu cedo a você Marla, Marla Pouco afeto, muito prazer Marla, Marla Se a cidade ferve, deixa ferver Marla, Marla No fim do mundo eu volto pra você Marla, Marla Eles julgam pra não se ver Marla, Marla A gente peca pra sobreviver Marla, Marla Fiscal de cu, fiscal de fé Marla, Marla Todo santo quer saber quem é Marla, Marla Deixa o prédio estremecer Marla, Marla O colapso combina com você [Outro - spoken, fading] Domingo, céu baixo, concreto Você foi sem fechar o afeto Segunda eu volto pro porão Com teu incêndio na respiração E se perguntarem se era amor Diz que era pior Era lúcido. Era clínico. Era nosso.