
(estrofe 1) Li sobre cidades cobertas de pranto, Onde toda vida chegava ao final; Mas teu Filho abraça o menor com encanto, Fazendo do frágil um dom celestial. (estrofe 2) Disseram que o triunfo exigia silêncio, De berços vazios e campos sem voz; Mas Cristo fez da infância o princípio Do Reino que floresce em todos nós. (estrofe 3) Vi mães procurando os filhos perdidos, No eco distante da guerra cruel; Mas teu olhar recolhe os esquecidos, Como a chuva que desce mansa do céu. (estrofe 4) Os fortes erguiam troféus sobre a dor, Chamando vitória o fim da esperança; Mas tu revelaste, Senhor do amor, Que o Reino pertence à criança. (refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová que imaginei; Onde Moisés narrou cidades entregues ao morrer, Jesus tomou as crianças nos braços, e assim encontrei O Deus que protege toda vida e a faz florescer. (estrofe 5) Jamais teu sorriso pisaria inocentes, Nem pisaria sonhos por ambição; Teu coração abriga todas as gentes, Sem medir valor por origem ou nação. (estrofe 6) A espada encerra futuros em cinza, Mas tua palavra desperta o amanhã; Teu sopro transforma a noite que finda Na luz serena da nova manhã. (estrofe 7) O pequeno jamais foi peso ou ameaça, Mas semente guardada em teu jardim; Teu amor envolve, consola e abraça, Fazendo do último o mais sublime enfim. (refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová que imaginei; Onde Moisés narrou cidades entregues ao morrer, Jesus tomou as crianças nos braços, e assim encontrei O Deus que protege toda vida e a faz florescer. (estrofe 8) Enquanto a violência fechava caminhos, Teu Reino abria portas para entrar; Chamando de filhos até os sozinhos, Ensinando o mundo inteiro a amar. (estrofe 9) Nenhuma lágrima te foi escondida, Nem o menor suspiro passou despercebido; Teu amor sustentou cada vida, Mesmo quando o homem julgou perdido. (estrofe 10) Agora compreendo, diante da cruz, Que tua glória não consiste em vencer; Ela resplandece no rosto de Jesus, Que entrega a própria vida para viver. (ponte) Quanto tempo imaginei que tua justiça precisava apagar inocentes, Como se teu Reino crescesse diminuindo a própria criação. Defendi interpretações sem ouvir o clamor dos mais indefesos e carentes, Até descobrir em Jesus o eterno Guardião da compaixão. (refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová que imaginei; Onde Moisés narrou cidades entregues ao morrer, Jesus tomou as crianças nos braços, e assim encontrei O Deus que protege toda vida e a faz florescer. (refrão final) Agora descanso em Jesus, Amor que nunca mudou; Contigo toda criança encontra abrigo e calor. O Deus conosco jamais da vida se afastou, Pois tua eterna vontade é salvar com amor. EXPLICAÇÃO DO TEMA A CENTRALIDADE DOS PEQUENINOS O poema desenvolve uma leitura cristocêntrica do contraste entre Deuteronômio 2:34 e 3:6, que relatam a destruição completa de populações durante as guerras narradas por Moisés, e a atitude de Jesus para com os mais vulneráveis. Em Marcos 10:13-16, quando os discípulos tentam impedir que crianças se aproximem dele, Jesus demonstra indignação, acolhe os pequenos em seus braços, impõe-lhes as mãos e declara que "dos tais é o Reino de Deus". Essa cena torna-se um símbolo do valor absoluto da vida humana na mensagem de Cristo. Enquanto os relatos de guerra refletem um contexto histórico caracterizado por conflitos entre povos do antigo Oriente Próximo, os Evangelhos apresentam Jesus identificando-se com os frágeis, os pobres, os enfermos e as crianças, mostrando um Deus cuja grandeza se manifesta na proteção da vida e não em sua eliminação. Essa leitura encontra diálogo em autores como Walter Brueggemann, Gerhard von Rad e N. T. Wright, que ressaltam tanto o contexto histórico do Deuteronômio quanto a centralidade de Cristo para a compreensão cristã da revelação. O REINO QUE ACOLHE E PRESERVA A VIDA A poesia utiliza a imagem das crianças como representação de toda pessoa vulnerável diante da violência humana. Nos Evangelhos, Jesus não apenas acolhe os pequenos, mas identifica-se com eles ao afirmar que quem recebe uma criança em seu nome recebe o próprio Cristo (Marcos 9:37). Da mesma forma, condena severamente qualquer atitude que conduza os pequeninos ao sofrimento (Mateus 18:6) e apresenta o Bom Pastor que deixa noventa e nove ovelhas para buscar aquela que se perdeu (Lucas 15:3-7). O poema fundamenta-se nessa revelação para construir uma oração de arrependimento, na qual o eu lírico reconhece ter atribuído ao caráter definitivo de Deus ações que, à luz da vida e dos ensinamentos de Jesus, já não consegue harmonizar com a revelação do Pai. Assim, a obra propõe que a cruz, o acolhimento dos vulneráveis e o amor universal de Cristo sejam o principal horizonte hermenêutico para a leitura das Escrituras (João 14:9; Hebreus 1:1-3), reconhecendo que essa é uma perspectiva teológica entre as diversas existentes no cristianismo. BIBLIOGRAFIA BRUEGGEMANN, Walter. Teologia do Antigo Testamento. 2001. WRIGHT, N. T. Jesus e a Vitória de Deus. 1996. VON

