(estrofe 1) Bordaram bandeiras sobre o altar, misturaram fronteira com salvação, disseram que Deus tinha pátria fixa e passaporte gravado no coração. (estrofe 2) A fé ganhou sotaque obrigatório, o estrangeiro virou suspeição, como se o céu tivesse fronteiras marcadas em tinta de nação. (estrofe 3) Nas praças ergueram discursos sagrados com mapas pintados de devoção, e quem vinha de longe, cansado, era visto como invasão. (estrofe 4) Chamaram de zelo o medo do outro, de pureza o fechar da mão, como se o amor tivesse idioma e o Reino tivesse região. (refrão) Mas o vento de Deus não conhece muralha, nem o mapa que o orgulho desenhou, pois quem ergue fronteiras no nome da fé esqueceu o caminho que Cristo mostrou. (estrofe 5) Nos templos falaram de povo eleito como posse privada do Criador, esquecendo que o pão repartido não pergunta origem nem cor. (estrofe 6) O migrante batia à porta da aldeia, com histórias escritas no olhar, mas a fé transformada em bandeira preferiu não o escutar. (estrofe 7) E assim a pátria virou liturgia, o hino virou oração nacional, enquanto o estrangeiro era sombra num evangelho territorial. (refrão) Mas o vento de Deus não conhece muralha, nem o mapa que o orgulho desenhou, pois quem ergue fronteiras no nome da fé esqueceu o caminho que Cristo mostrou. (estrofe 8) Mas houve um Cristo nas estradas poeirentas que falou com mulher samaritana, rompendo cercas invisíveis da religião que separa. (estrofe 9) Ele contou de um homem ferido socorrido por quem era estrangeiro, mostrando que o amor verdadeiro não consulta o mapa primeiro. (estrofe 10) Se a fé quiser ser ponte viva entre povos de todo lugar, que derrube as cercas do medo e aprenda de novo a abraçar. (refrão) Pois o Reino não tem passaporte, nem fronteira que o possa conter, Deus caminha entre povos diversos onde o amor aprende a nascer.