
(estrofe 1) Sob vestes longas e voz de altar, ergueu promessas de devoção, mas no silêncio do administrar crescia a sombra da apropriação. (estrofe 2) Moedas dadas com fé sincera caíam no cofre da confiança, mas mãos que juraram vida austera teceram contas de falsa aliança. (estrofe 3) O púlpito falava de santidade, de renúncia, justiça e compaixão, mas longe da luz da comunidade o ouro mudava de direção. (estrofe 4) E o pão do pobre, antes sagrado, virou estatística em relatório, enquanto o discurso bem ensaiado escondia um luxo contraditório. (refrão) Quando o poder veste devoção, mas negocia a fé em segredo, o templo perde sua missão e o altar se inclina ao medo. (estrofe 5) Planilhas frias guardavam cifras que nunca chegaram ao necessitado, e nas paredes das antigas cifras crescia um silêncio desconfiado. (estrofe 6) Quem veio buscar consolo e cuidado trazia lágrimas na oração, sem saber que o gesto ofertado sustentava outra ambição. (estrofe 7) Mas a verdade, discreta e firme, caminha devagar pela história, e cedo ou tarde a justiça imprime nova memória na trajetória. (refrão) Quando o poder veste devoção, mas negocia a fé em segredo, o templo perde sua missão e o altar se inclina ao medo. (estrofe 8) Pois a fé não nasceu para o cofre, nem para palácios de aparência, mas para o gesto que abre o odre da partilha e da consciência. (estrofe 9) Toda liderança que esquece o caminho do serviço humilde e verdadeiro transforma o sagrado carinho em comércio de interesse financeiro. (estrofe 10) E então o clamor das consciências ergue um novo chamado ao viver: que o templo volte às suas essências, servir, repartir e proteger. (refrão) Quando o poder veste devoção, mas negocia a fé em segredo, o templo perde sua missão e o altar se inclina ao medo.

