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Ponto Final

V4.5-ALL

Naquele ponto Exacto momento No tecido do espaço e tempo Ele pôs um fim ao sofrimento Tudo o que dele fora im dia esperado Foi posto em causa, desconsiderado Os papéis que, na perfeição, representou Os anseios que, por apego e necessidade, ignorou Os impulsos, que por impulso, cortou Engolido, sugado pelas culpas Dos tantos acertos que deram errados Dos tantos recursos desperdiçados Da obrigação de estar para os que estão Trouxe-lhe, em igual dimensão Tanto dor, como compaixão De tanto tempo passar, calçado Sapatos de outros, de tamanho apertado O molde virou fôrma A forma ficou disforme Deu à luz a inquietante indignação Suave doce, forte inebriante, desejo de vingança Retaliação à não acção Consequência da reacção Perdeu-se, esqueceu-se Na musica por ele composta Em compassos de largos passos dados, doados Da fé de quem se sabe, surdo, mas parte de melodia cega Suave doce, forte inebriante, desejo de dança Tantas necessidades impostas, expostas Fracturas sociais, desfracturadas Causas sociais, falsas, desmascaradas O recreio da vida, revelado A revolta, entendida, é medo de pertencer Ao mundo que o fez desfazer Desfeito de si, da pertença a si Renunciou às tentações de segurança Impostas, aprendidas desde criança Assignadas as missões e tarefas que desfazem a alma Presa à noção de si Presa à confiança de quem diz que sabe Perde-se, cumprindo O incumprimento de si mesma Dando alento e alimento à maquina, com o seu tempo Brilho e alegria, com o brilho e alegria da inocência dos seus filhos Amor e sabedoria Com o amor e sabedoria da fragilidade dos mais velhos Ele decidiu parar Parar o próprio movimento, já interrompido Voltou com o filme bem lá atrás E, novamente, com compaixão Naquele ponto Exacto momento No tecido do espaço e tempo Ele pôs um fim ao sofrimento