
Salvador de Mim (Ponto de Nanã - RETROFIT EDITION)
[Intro: Meditative terreiro percussion. Atabaques, agogô, xequerê. Sound of calm running water. Malandro nylon guitar fingerpicking] [Female Soul Choir softly:] Ê, Nanã Buruquê... Saluba Nanã... [Whispered spoken word:] Vovó... eu vim devolver o que não é meu. A vistoria agora é interna. [Verse 1: Crystal R&B male vocal, carioca accent, laid-back delivery] Não foi tudo culpa sua... agora de longe eu vejo, Os demônios que eu carregava sob o meu desejo. Eles não foram plantados por você, parceiro... Mas você sentou na sombra e alimentou o desespero. Sozinho eu troquei os pés pelas mãos na estrada, Tentando salvar o mundo com a alma estilhaçada. O que eu chamei de empatia era um grito de pavor... Um socorro silencioso disfarçado de protetor. [Chorus: Punchy bass enters. Soulful call-and-response with choir] Quem salva o salvador? [Choir:] Ê, Nanã Buruquê Quem cuida de quem só sabe cuidar? [Choir:] Vovó, venha me valer! Descobri que o herói que eu tanto esperei... Sempre esteve aqui, sou eu no trono que herdei! [Choir:] Com seu ibiri, ela vem limpar... toda tristeza que há no meu olhar [Verse 2: Cavaquinho licks and pandeiro enter. Samba-Soul groove builds up] Desde cedo eu aprendi que o amor era moeda, Que eu só tinha valor se segurasse a tua queda. Me doei até o fim, mas escondi meu arco-íris... Pra não ofuscar o teu tom, pra não ferir tuas íris. Quando te conheci, eu já tava exausto da peça, De interpretar o "perfeito" enquanto a vida tinha pressa. Você pediu pra eu continuar o show, mesmo sangrando... E eu, no vício de ser útil, fui ficando... e me quebrando. [Chorus: Dynamic lift. Full brass section and intense atabaques] Quem salva o salvador? [Choir:] Ê, Nanã Buruquê Quem cuida de quem só sabe cuidar? [Choir:] Vovó, venha me valer! Descobri que o herói que eu tanto esperei... Sempre esteve aqui, sou eu no trono que herdei! [Verse 3: Beat drops out. Dramatic Atabaque Rum and Rhodes piano only] O cuidado que eu tinha com você... era um espelho raivoso, Escondia um menino sem amparo, num medo silencioso. Que acreditava que pra ser amado tinha que ser necessário, Uma troca desigual, um destino autoritário. Quando eu não fui mais preciso, o teu "amor" se desfez... E a máscara de salvador caiu de uma vez. As feridas ainda sangram, mas o barro tá secando... Nanã tá no comando, e o meu eu tá levantando. [Bridge: Rhythmic declamation, powerful and fast. Intense Afro-Brazilian spiritual trance] No chão de ferro, Ogum forjou minha armadura! Nas águas doces, Oxum lavou minha amargura! Exu abriu o caminho quando o mundo se fechou! Oxóssi trouxe o axé que a alma precisou! O raio de Iansã varreu quem me queria o mal! Xangô bateu o martelo, justiça celestial! Omulu cobriu com palha a ferida que eu não via! Iemanjá levou pro mar toda a minha agonia! Com Nanã, virei barro pra poder me refazer... E no branco de Oxalá, aprendi a renascer! [Final Chorus: MAXIMUM ENERGY! Full drums, brass, and orchestra with atabaques] Quem salva o salvador? [Lead:] EU ME SALVO! Quem cuida de quem só sabe cuidar? [Lead:] NANÃ VEIO ME BUSCAR! Descobri que o herói que eu tanto esperei... Sempre esteve aqui, sou eu no trono que herdei! [Outro: Slow down to melancholic Samba-Canção. Soft guitar and fading choir] Da minha mão eu não solto mais... Se precisar, eu me carrego no colo, eu me dou paz. Esse ciclo de resgate, eu vim pra quebrar... Salvador de mim... finalmente em casa, no meu lugar. [SFX: Sound of keys jangling and a heavy door closing] Saluba Nanã! [End]


