
WAKAPUPA VIVE
Hummm… hummm… hummm… Lá nas profundezas do nosso Ombadja nasceste… Cunene te viu nascer… Luanda te viu crescer… Mas foi o Xangongo Que guardou o teu último suspiro… Meu amigo… meu irmão… O teu nome bate forte No tambor do meu peito… Quando a viola geme baixinho É a saudade que fala comigo… A dikanza sussurra teu nome… A flauta sopra lembranças no vento… E eu fecho os olhos… E ainda escuto o teu riso… Ohh… meu Miguel… Ohh… meu Dady… Ohh… Wakapupa… Sofreste calado… Com dignidade no olhar… Com um carinho Que nem o tempo conseguiu levar… Perdoa o meu silêncio… Eu carrego essa dor comigo… Sangro por dentro Por não ter caminhado contigo Até a tua última morada… Sem promessas ao vento… Sem palavras vazias… Só verdade no peito… E amor que não termina… Hummm… hummm… Na porta da tua casa As sentadas até amanhecer… Risos livres na varanda… Ali a vida era viver… Piqueniques na prainha do Xangongo… Orloque nas anedotas… Remígio, irmão de alma… Ireno, parceiro eterno… Virgílio, sangue forte e união… Sangue forte… união… Hoje o Xangongo chora por ti… Entre rios e lágrimas… Mas teu nome continua Como tambor que nunca se cala… Wakapupa… Wakapupa… Wakapupa… Essa saudade que bate no peito É maior que a razão… É maior que o tempo… É maior que a distância do chão ao céu… Oh… meu Dady querido… Foi contigo que aprendi Que a vida é coragem… E amizade é eternidade… Aos teus filhos Deixaste honra e amor… Aos teus amigos Deixaste histórias Que o tempo não apaga… No toque da viola… Na flauta que chora baixinho… Na dikanza que chama teu nome… Tu continuas vivo… Miguel Wakapupa vive… No coração do Xangongo… No coração da família… No meu coração… Hummm… hummm… hummm…

