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Incriveis anos 80

V5.5

[singer A] Cinco da tarde, o fliperama tá um forno O cheiro de chiclete e couro velho no ar Eu chutei a lata, o rádio a pilha no retorno "Tira o pé da lama", ouvi meu pai gritar Comprei um k7 pirata na banca da esquina A fita enrolando, caneta Bic pra ajustar A gente não tinha nada, só aquela adrenalina De invadir o prédio e ver a cidade brilhar Minha jaqueta jeans cheira a pano molhado da chuva O sistema rangendo, a gente querendo quebrar Tirei o relógio, não sinto mais a curva Do tempo berrando que o mundo ia parar Ah, que tempo estranho e bom de se perder Sem sinal no bolso, só o corpo pra entender A revolta no peito e a sola do tênis furada A gente era rei de uma rua abandonada Incríveis anos onde o erro era a glória Escrito a giz na parede da nossa memória [transition] [singer B] Teu walkman parou, a pilha "fracou" no meio "Me empresta o teu?", você disse rindo de lado Lembro do batom borrado, sem nenhum receio Do futuro incerto, do plano que deu errado A gente odiava o terno cinza do vizinho E jurava que o topo era o nosso lugar Cada discórdia era só um jeitinho De provar pro mundo que sabia voar (Peraí...) O silêncio do bairro, a luz do poste piscando A gente gritando contra o silêncio do estado Mãos suadas, o peito aqui... balançando Tipo... um choque elétrico, só que guardado Não era ouro, era só nossa pele brilhando Oito-zero-oito batendo no peito Oito-zero-oito, não tem mais jeito! Oito-zero-oito batendo no peito! [melodic transition] [singer A] Ah, que tempo estranho e bom de se perder Sem sinal no bolso, só o corpo pra entender A revolta no peito e a sola do tênis furada A gente era rei de uma rua abandonada Incriveis anos onde o erro era a glória Escrito a giz na parede da nossa memória O giz apagou... Mas a fita ainda tá rodando. Ainda tá rodando. (Yeah, uhm...)