
(estrofe 1) Vestiram alguns com insígnias de mediação, E disseram: “Só estes possuem autorização”, Como se o céu escolhesse, em rígida seleção, Poucos herdeiros para toda aproximação. (estrofe 2) O altar tornou-se fronteira e separação, Guardado por nomes, linhagem e tradição, E o povo aguardava, à margem da adoração, Que outros levassem sua súplica em oração. (estrofe 3) No deserto cresceu uma instituição, Onde o sagrado parecia propriedade e concessão, E eu acreditei, com sincera devoção, Que Deus restringia Seu amor a uma função. (estrofe 4) Mas meu coração fazia silenciosa observação, Se Tu és Pai de toda a criação, Como prenderias Tua presença e comunhão, Ao monopólio de uma só geração? (refrão) Perdão Senhor, não és Deus de concentração, Que reserva o sagrado a uma única mão, Em Jesus Cristo vejo livre aproximação, Teu amor se derrama sobre toda a criação. (estrofe 5) Então Te vi sentado junto à multidão, Falando do Pai sem exigir intermediação, E cada pessoa, em humilde atenção, Descobria em si mesma um templo em construção. (estrofe 6) Te vi tocar crianças, doentes e excluídos, Transformando em amigos os antes esquecidos, Pois Tua autoridade não busca exaltação, Mas reparte a graça em generosa comunhão. (estrofe 7) Rasgaste o véu de toda segregação, Abrindo caminhos de reconciliação, Mostrando que o céu não vende permissão, Mas oferece amor como vocação. (refrão) Perdão Senhor, não és Deus de concentração, Que reserva o sagrado a uma única mão, Em Jesus Cristo vejo livre aproximação, Teu amor se derrama sobre toda a criação. (estrofe 8) Quantos ainda acreditam na exclusão, Como se precisassem de selo e aprovação, Quando Teu Espírito sopra sem distinção, Como vento que visita toda habitação. (estrofe 9) Tu és fonte aberta em constante doação, Sol que ilumina sem exigir seleção, E ao invés de erguer muros de separação, Fazes da humanidade uma só comunhão. (estrofe 10) Hoje compreendo, com serena convicção, Que antigos textos refletem organização, Mas em Cristo encontro a plena revelação: Teu rosto é acesso, acolhimento e união. (ponte) Falhei ao chamar de divina a restrição, Ao defender barreiras como proteção, Ao esquecer que o amor não conhece concessão, Pois Tua graça é universal distribuição. (refrão) Perdão Senhor, não és Deus de concentração, Que reserva o sagrado a uma única mão, Em Jesus Cristo vejo livre aproximação, Teu amor se derrama sobre toda a criação. (refrão final) Descanso em Ti, Jesus, presença e calor, Jamais serias privilégio, cerca ou favor, És Deus acessível, constante e acolhedor, E eternamente conosco és perfeito amor.

