
(estrofe 1) Na areia repousa uma concha, pequena guardiã do mar, parece que o tempo se aconchega em suas curvas a descansar. (estrofe 2) Quem a recolhe pode imaginar quantas marés passou a ouvir, quantas luas viu sobre as águas, quantas ondas a fizeram surgir. (estrofe 3) Por fora, silêncio e simplicidade, por dentro, caminhos do oceano, como uma pequena eternidade guardando histórias sem engano. (estrofe 4) A concha ensina que toda vida carrega marcas pelo caminho, e que uma existência enriquecida não precisa caminhar sozinha. (refrão) Guarda, concha, o teu segredo, sem deixar de ser quem és; há memória até no silêncio, há história em cada maré. (estrofe 5) O mar deixou sua assinatura na forma delicada que ficou, como o tempo deixa na criatura os sinais de tudo que passou. (estrofe 6) E a areia, ao redor, testemunha que nada permanece no lugar; cada vento muda a paisagem, cada onda retorna para transformar. (estrofe 7) Assim também somos memória, feitos de encontros e despedidas, carregando dentro da história as marcas de tantas vidas. (refrão) Guarda, concha, o teu segredo, sem deixar de ser quem és; há memória até no silêncio, há história em cada maré. (estrofe 8) Mas não é preciso abrir o passado para provar o que se viveu; há lembrança no corpo marcado, há aprendizado no que aconteceu. (estrofe 9) Quem aprende a olhar uma concha talvez aprenda a olhar para si, vendo que a existência se transforma sem apagar tudo o que vivi. (estrofe 10) E quando a maré vier buscá-la, deixando a praia diferente, a concha seguirá sua jornada, levando o oceano silenciosamente. (refrão) Guarda, concha, o teu segredo, sem deixar de ser quem és; há memória até no silêncio, há história em cada maré.

