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USO DE ESCRITURAS PARA EXPOLIAÇÃO

(estrofe 1) Contando o cristianismo... é lembrar, quando a letra serviu de argumento, para alguns poderem acumular riqueza, domínio e rendimento. (estrofe 2) Versículos tirados do caminho foram moldados à conveniência, e o pobre, ferido e sozinho, ouviu a sentença em vez da clemência. (estrofe 3) A página virou instrumento, a palavra perdeu seu sentido, e o texto, usado como cimento, ergueu um muro contra o oprimido. (estrofe 4) Chamaram de ordem a desigualdade, de destino, a exploração, mas Deus não confunde autoridade com domínio sobre o irmão. (refrão) Não se usa a Palavra para ferir, nem a fé para justificar opressão; se a Escritura ensina a repartir, não pode servir à exploração. (estrofe 5) A vinha não pertence ao mais forte só porque cercou o seu chão; há quem tenha perdido a própria sorte sob leis revestidas de religião. (estrofe 6) Quando a leitura esquece a justiça, a letra se torna uma prisão; mas quando a verdade vence a cobiça, o texto se abre à compaixão. (estrofe 7) Jesus encontrou nos antigos escritos o caminho do amor e da verdade; não transformou mandamentos em gritos, mas chamou ao cuidado e à igualdade. (refrão) Não se usa a Palavra para ferir, nem a fé para justificar opressão; se a Escritura ensina a repartir, não pode servir à exploração. (estrofe 8) O livro sagrado não é escudo para proteger privilégio e poder; quem transforma o texto em muro pode ler sem realmente entender. (estrofe 9) A fé que legitima a injustiça perde o perfume da oração; pois toda interpretação que maltrata precisa enfrentar a compaixão. (estrofe 10) Contando o cristianismo... é lembrar que texto também exige consciência; quem lê para dominar pode se enganar, quem lê para amar encontra a essência. (refrão) Não se usa a Palavra para ferir, nem a fé para justificar opressão; se a Escritura ensina a repartir, não pode servir à exploração.