
(estrofe 1) No alto do galho o tempo trabalha, Guardando doçura no ventre da cor, O vento acaricia a folha que embala A promessa dourada do fruto em flor. (estrofe 2) Meses de sol, silêncio e espera, Raízes bebendo segredo no chão, A vida amadurece sem pressa na terra, Como um pensamento no coração. (estrofe 3) As chuvas cantaram sobre o pomar, O dia aqueceu a seiva em viagem, E o fruto aprendeu, devagar, Que o tempo é o mestre da paisagem. (estrofe 4) Agora reluz no ramo inclinado, Com perfume doce a perfumar, É o ouro da vida, sereno e calado, Esperando a hora de se entregar. (refrão) Ó fruto maduro que o tempo criou, Doçura guardada no ventre da estação, Quem aprende a esperar como a árvore esperou Colhe a beleza da maturação. (estrofe 5) Não nasceu na pressa da mão humana, Nem na ansiedade do querer colher, Foi o ritmo antigo da força arcana Que ensinou à seiva quando crescer. (estrofe 6) Há sabedoria no ramo tranquilo, Que não apressa o ciclo do chão, Pois o sabor se forma no fio Do invisível trabalho da criação. (estrofe 7) Quando enfim o fruto se curva pesado, A árvore inteira parece sorrir, Pois tudo que cresce no tempo guardado Aprende também a repartir. (refrão) Ó fruto maduro que o tempo criou, Doçura guardada no ventre da estação, Quem aprende a esperar como a árvore esperou Colhe a beleza da maturação. (estrofe 8) O viajante encontra alimento, No dom silencioso do pomar, E entende que a vida é crescimento Que só o tempo pode lapidar. (estrofe 9) Assim cada gesto humano floresce, Quando nasce de amor e dedicação, Pois a colheita mais doce acontece Na árvore viva da comunhão. (estrofe 10) E quando o fruto se oferece inteiro, Sem medo de dar sua doçura ao chão, A natureza revela primeiro Que viver é também doação. (refrão) Ó fruto maduro que o tempo criou, Doçura guardada no ventre da estação, Quem aprende a esperar como a árvore esperou Colhe a beleza da maturação.

