(estrofe 1) Não desce do céu como pedra fria e perfeita, mas brota no peito onde a vida é imperfeita; a voz do Eterno encontra caminhos terrenos, como chuva que toca mil solos pequenos. (estrofe 2) Há pó nas sandálias de quem escreveu outrora, há medo nas noites e esperança na aurora; entre risos e lágrimas nasce a revelação, como trigo que cresce no campo da emoção. (estrofe 3) O céu não apagou a história do escritor, antes fez da memória um canal do amor; assim cada relato carrega sua paisagem, como rios diversos correndo na mesma viagem. (estrofe 4) Há ecos de desertos, de guerras e canções, de templos erguidos e antigas orações; mas no fundo da trama, além da voz humana, sopra um vento eterno que a história emana. (refrão) Deus fala no humano, na voz imperfeita, na alma ferida, na esperança refeita; no barro da história acende sua luz, e o sopro divino na vida reluz. (estrofe 5) Como o sol refletido em mil superfícies, a mesma luz dança em variadas matizes; não muda o brilho que nasce do alto, mas muda o desenho do vidro e do salto. (estrofe 6) Um profeta tremendo diante do mistério, um poeta cantando no templo ou no império; um pastor narrando os dias do rebanho, todos guardam traços do divino tamanho. (estrofe 7) A revelação cresce no tempo vivido, no sonho do justo e no grito oprimido; cada palavra traz marcas do chão, como frutos que guardam o gosto da estação. (refrão) Deus fala no humano, na voz imperfeita, na alma ferida, na esperança refeita; no barro da história acende sua luz, e o sopro divino na vida reluz. (estrofe 8) Há tintas de culturas nas frases antigas, há sombras de medo e de antigas intrigas; mas também há lampejos de graça e verdade, como estrelas surgindo na escuridão da cidade. (estrofe 9) Quem lê percebe ecos de povos e eras, de reis, peregrinos, de sonhos e guerras; por trás dessas vozes, frágeis e reais, o sopro divino atravessa os mortais. (estrofe 10) Por isso a Palavra não cai do infinito isolada, ela nasce na estrada da vida compartilhada; Deus fala no humano, na dor e na cruz, e o barro da história sua glória traduz. (refrão) Deus fala no humano, na voz imperfeita, na alma ferida, na esperança refeita; no barro da história acende sua luz, e o sopro divino na vida reluz.