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A DESTRUIÇÃO DOS MURMURADORES PELO FOGO

V4.5-ALL

(estrofe 1) No deserto ecoaram vozes de cansaço e dor, Gente ferida na alma, pedindo algum favor, Mas disseram que o fogo desceu para calar, Como se reclamar fosse motivo pra queimar. (estrofe 2) Chamaram de juízo o que parecia explosão, De um Deus irado contra a própria criação, E eu, por tanto tempo, aceitei sem perceber, Que o clamor humano também precisa viver. (estrofe 3) Pois quem caminha no pó também pode gemer, Quem sente fome e medo tem direito de dizer, E transformar fraqueza em culpa a se pagar, Não é caminho de quem veio libertar. (estrofe 4) Mas ensinaram que o silêncio era o ideal, Que questionar o céu era um erro fatal, E eu guardei em mim tantas dores sem voz, Pensando que Deus não suportava ouvir nós. (refrão) Perdão Senhor, não és o fogo a condenar, Que destrói quem ousa fraquejar, Em Jesus Cristo vejo o Deus que sabe escutar, Teu amor acolhe até o choro mais vulgar. (estrofe 5) Então Te vi cansado junto ao poço a esperar, Pedindo água a quem também quis conversar, E ali percebi no Teu jeito de falar, Que Deus não rejeita quem precisa desabafar. (estrofe 6) Te vi chorando diante da dor de um amigo, Sentindo na pele o peso do perigo, E compreendi que em Ti há espaço pra sentir, E que sofrer também faz parte do existir. (estrofe 7) Não mandaste fogo para quem duvidou, Mas ofereceste paz a quem Te negou, E o que era medo virou compreensão, Pois em Ti há acolhimento, não destruição. (refrão) Perdão Senhor, não és o fogo a condenar, Que destrói quem ousa fraquejar, Em Jesus Cristo vejo o Deus que sabe escutar, Teu amor acolhe até o choro mais vulgar. (estrofe 8) Quantos ainda escondem a dor no coração, Com medo de um Deus que não aceita a emoção, Reprimem o grito, abafam o sentir, Achando que a fé exige nunca cair. (estrofe 9) Mas Tu conheces o íntimo do ser humano, Sabes do limite, do medo e do engano, E ao invés de punir quem não consegue suportar, Te aproximas com graça para restaurar. (estrofe 10) Hoje entendo melhor o Teu jeito de agir, Não destróis o fraco por ele sucumbir, Mas o levantas com ternura e calor, Mostrando que és fonte eterna de amor. (ponte) Errei ao pregar um Deus que não tolera dor, Ao exigir força onde faltava vigor, Ao transformar fraqueza em falha espiritual, E esquecer que ser humano é ser essencial. (refrão) Perdão Senhor, não és o fogo a condenar, Que destrói quem ousa fraquejar, Em Jesus Cristo vejo o Deus que sabe escutar, Teu amor acolhe até o choro mais vulgar. (refrão final) Hoje me permito viver sem me punir, Abraçar meus limites e ainda sorrir, Mesmo quando a tristeza vier me tocar, Escolho ser leve, escolho me amar. (refrão final) Descanso em Ti, Jesus, Deus de compaixão, Nunca serias chama de destruição, Teu amor é abrigo, começo e fim, És sempre cuidado derramado em mim.