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DEUS COMO IRADO POR IMPUREZAS NATURAIS

(estrofe) No corpo humano pulsa o ritmo da criação, Sangue, lágrimas, suor — sinais da formação; Mas livros antigos falaram de condenação, Chamando natureza de sombra e transgressão. (estrofe) Fluxos do corpo, ciclos da própria vida, Foram marcados como mancha proibida; Como se o Criador negasse a obra erguida, E a carne humana fosse culpa cometida. (estrofe) Mas o Nazareno caminhou entre os doentes, Tocou leprosos, abraçou os indigentes; Nunca chamou de culpa os sinais viventes, Nem viu pecado nos processos inocentes. (estrofe) Enquanto normas erguiam medo e temor, Ele espalhava descanso, graça e amor; O toque santo não julgava a dor, Mas revelava Deus como Pai e Pastor. (refrão) Perdão, Senhor, se chamei de Ti tal rigor, Se confundi Teu rosto com máscara de terror; Hoje proclamo com firme voz e fervor: Tu és amor — não o medo que a lei pintou. (estrofe) Na lei antiga, sangue era visto como ameaça, No templo havia distância e pesada couraça; Mas Cristo rompeu toda fria carapaça, E fez da compaixão a divina praça. (estrofe) Uma mulher tocou Sua veste com tremor, Doze anos carregando silêncio e dor; Ele não falou de impureza nem de horror, Chamou-a “filha” e curou seu interior. (estrofe) Assim caiu o muro da acusação severa, Que confundia biologia com quimera; Pois Deus não condena a vida que gera, Nem chama de culpa a natureza sincera. (refrão) Perdão, Senhor, se chamei de Ti tal rigor, Se confundi Teu rosto com máscara de terror; Hoje proclamo com firme voz e fervor: Tu és amor — não o medo que a lei pintou. (estrofe) Aprendi tarde o sentido da encarnação, Deus feito carne, sem negar condição; Se a carne fosse culpa ou perdição, Cristo não pisaria nossa dimensão. (estrofe) Ele comeu, chorou, cansou-se na jornada, Sentiu sede sob a poeira da estrada; Nunca chamou de impura a vida encarnada, Mas revelou a graça ilimitada. (ponte) Lamento o zelo com que defendi o engano, Quando pensei que o medo vinha do Soberano; Agora percebo: o Deus revelado no humano Não condena o corpo que Ele mesmo fez plano. (refrão) Perdão, Senhor, se chamei de Ti tal rigor, Se confundi Teu rosto com máscara de terror; Hoje proclamo com firme voz e fervor: Tu és amor — não o medo que a lei pintou. (refrão final) Agora descanso em Jesus, Deus de ternura, Fonte eterna de graça segura; Amor que jamais se torna censura, Deus que acolhe toda vida em doçura.