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AS LIÇÕES DOS DIAS COMUNS

(estrofe 1) Havia dias sem notícia, sem promessa de emoção, Mas neles eu aprendia os caminhos do coração; Um café, uma conversa, uma tarefa, um pequeno afazer, E o simples, quase invisível, começava a me fazer. (estrofe 2) Era levantar cedo e cumprir o que precisava, Era ouvir quem me chamava, responder quem me esperava; Cada gesto repetido construía uma direção, Como quem, sem perceber, desenhava uma formação. (estrofe 3) Havia tardes demoradas, sem nenhum acontecimento, Mas nelas eu descobria o valor de cada momento; Aprendia a ter paciência, a esperar sem reclamar, Pois nem toda coisa importante precisa se anunciar. (estrofe 4) Uma conversa à mesa podia muito me ensinar, Um conselho inesperado fazia o pensamento mudar; Nas pequenas diferenças eu aprendia a compreender, Que conviver com outras vidas também ensina a viver. (refrão) AS LIÇÕES DOS DIAS COMUNS ficaram dentro de mim, Nos detalhes esquecidos que pareciam ter um fim; Foi no simples, foi no pouco, foi no tempo sem alarde, Que a pessoa que hoje sou começou a formar-se. (estrofe 5) Um erro cometido cedo ensinava responsabilidade, Uma promessa cumprida fortalecia a lealdade; Um pedido de desculpas reconstruía uma relação, E pequenos atos repetidos educavam o coração. (estrofe 6) Aprendi que o meu caminho não seria feito só de glória, Que também os dias cinzentos participavam da história; A rotina me ensinava, sem discursos nem sermões, Que caráter se constrói muito além das grandes ocasiões. (estrofe 7) Uma espera, uma derrota, uma escolha ou um favor, Podiam transformar por dentro minha forma de dar valor; O cotidiano guardava experiências sem chamar atenção, E lentamente ia moldando minha visão. (refrão) AS LIÇÕES DOS DIAS COMUNS ficaram dentro de mim, Nos detalhes esquecidos que pareciam ter um fim; Foi no simples, foi no pouco, foi no tempo sem alarde, Que a pessoa que hoje sou começou a formar-se. (estrofe 8) Hoje lembro de momentos que julgava sem importância, E percebo quanto havia de profunda ensinança; Não eram grandes feitos nem jornadas de esplendor, Eram passos pequeninos cultivando algum valor. (estrofe 9) A vida não me educava somente em dias especiais, Também nas obrigações e nos gestos habituais; Cada dia acrescentava uma parcela ao meu ser, E aquilo que era rotina me ajudava a amadurecer. (estrofe 10) Por isso olho para trás com ternura e gratidão, Pois encontro nos detalhes a raiz da formação; Tenho saudades daquele que aprendia sem notar, E hoje reconheço: eu crescia simplesmente ao caminhar. (ponte) Lamento as muitas vezes em que quis fugir do comum, Como se apenas o extraordinário pudesse trazer algum; Deixei passar momentos que mereciam atenção, Sem perceber que o cotidiano também formava o coração. (refrão) AS LIÇÕES DOS DIAS COMUNS ficaram dentro de mim, Nos detalhes esquecidos que pareciam ter um fim; Foi no simples, foi no pouco, foi no tempo sem alarde, Que a pessoa que hoje sou começou a formar-se. (refrão final) Hoje eu amo quem me tornei, sem negar o que vivi, Escolho a alegria possível e o melhor que existe em mim; Se a tristeza me visitar, também saberei acolher, Pois até nos dias comuns eu continuo a aprender.