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A PRAGA PELO DESEJO DE CARNE

V4.5-ALL

(estrofe 1) No calor do deserto surgiu recordação, Do cheiro das panelas e do antigo pão, E o povo cansado começou a desejar, Algo além do maná que vinha alimentar. (estrofe 2) Mas disseram que a fome provocou punição, Como se sentir falta fosse rebelião, E eu temi por anos o simples desejar, Achando que Deus podia por isso castigar. (estrofe 3) Transformaram o humano em motivo de temor, Como se o desejo anulasse o valor, E a necessidade virasse culpa mortal, Num juízo pesado, severo e brutal. (estrofe 4) Mas dentro de mim havia uma inquietação, Se Tu criaste o corpo e sua sensação, Por que odiarias o clamor natural, De quem só queria um cuidado essencial? (refrão) Perdão Senhor, não és castigo imediato, Nem condenas o humano por seu simples retrato, Em Jesus Cristo vejo compaixão a transbordar, Teu amor compreende antes mesmo de julgar. (estrofe 5) Então Te vi multiplicando peixe e pão, Sem desprezar a fome daquela multidão, Não chamaste de pecado o desejo de comer, Mas fizeste do alimento um jeito de acolher. (estrofe 6) Te vi sentado à mesa em sincera comunhão, Partilhando alimento sem qualquer condenação, E compreendi que o corpo também pode ensinar, Que viver é sentir, é precisar, é desejar. (estrofe 7) Tu nunca rejeitaste o limite da criação, Nem fizeste da carência uma transgressão, Mas olhaste o ser humano com ternura e calor, Sabendo que a fragilidade também pede amor. (refrão) Perdão Senhor, não és castigo imediato, Nem condenas o humano por seu simples retrato, Em Jesus Cristo vejo compaixão a transbordar, Teu amor compreende antes mesmo de julgar. (estrofe 8) Quantos vivem ainda com medo de sentir, Reprimindo desejos só para sobreviver, Pensando que a fé exige negar o coração, E transformar a vida em constante negação. (estrofe 9) Mas Tu conheces a fome escondida em cada ser, As ausências profundas difíceis de dizer, E ao invés de ferir quem não consegue suportar, Te aproximas em silêncio para alimentar. (estrofe 10) Hoje percebo o quanto Te interpretei mal, Ao chamar de divino um rigor descomunal, Mas em Cristo descubro sem medo de errar, Que Teu modo de agir é sustentar e amar. (ponte) Falhei quando preguei um Deus sem compreensão, Que transformava carência em condenação, Quando fiz do medo uma falsa devoção, E não vi que o amor escuta o coração. (refrão) Perdão Senhor, não és castigo imediato, Nem condenas o humano por seu simples retrato, Em Jesus Cristo vejo compaixão a transbordar, Teu amor compreende antes mesmo de julgar. (refrão final) Hoje escolho a leveza de me compreender, Sem me punir por sentir ou por sofrer, Mesmo nos dias cinzentos que insistem em chegar, Decido ainda assim sorrir e me amar. (refrão final) Descanso em Ti, Jesus, presença acolhedora, Jamais serias ameaça destruidora, És Deus de ternura, cuidado e calor, Imutável na graça, infinito em amor.