
(estrofe 1) Josué recebe instruções para preparar a emboscada, E a astúcia da guerra surge como ordem consagrada; Homens se escondem, avançam no tempo combinado, E o cálculo militar aparece como conselho do Sagrado. (estrofe 2) A surpresa se transforma em instrumento de vitória, E o êxito dos guerreiros ganha linguagem de glória; A inteligência usada no combate, tão própria do soldado, Passa a ser compreendida como plano do Deus adorado. (estrofe 3) Mas estratégia humana e revelação não são a mesma coisa, Nem toda vitória confirma que a vontade divina foi vitoriosa; Um comandante pode calcular, prever e surpreender, Sem que o Céu precise ter ensinado como vencer. (estrofe 4) A antiga narrativa talvez leia o triunfo como intervenção, Porque perder ou vencer envolvia profunda interpretação; O sucesso militar podia parecer sinal vindo do além, E a mão invisível explicava aquilo que a espada fez também. (refrão) A EMBOSCADA COMO ESTRATÉGIA DIVINA, Não corresponde ao Deus que em Jesus se ilumina; Cristo não ensina armadilhas para derrotar adversário, Seu Reino não transforma o irmão em alvo de cenário. (estrofe 5) Jesus conhece oposição, ameaça, traição e perseguição, Mas não prepara ciladas para eliminar a oposição; Diante do traidor, não organiza uma contra-armadilha, Antes atravessa a noite sem devolver violência à quadrilha. (estrofe 6) Quando seus discípulos pensam em defesa pela espada, Ele não manda preparar outra tropa cuidadosamente armada; Seu caminho não depende de surpresa contra o agressor, Pois sua resposta procura vencer o mal através do amor. (estrofe 7) No Evangelho, a astúcia recebe outro direcionamento, Não para ferir inimigos, mas para servir ao ensinamento; A prudência pode existir sem transformar-se em agressão, E inteligência pode estar subordinada à compaixão. (refrão) A EMBOSCADA COMO ESTRATÉGIA DIVINA, É uma leitura que diante de Jesus se examina; Não preciso chamar de conselho do Pai cada estratégia de guerra, Pois o Deus de Cristo não conquista pessoas pela força da terra. (estrofe 8) Talvez um povo vitorioso tenha visto o próprio sucesso Como resposta do alto, confirmação de seu progresso; Assim, a vitória recebia uma interpretação sobrenatural, E a habilidade do guerreiro ganhava significado celestial. (estrofe 9) É diferente dizer “vencemos” de dizer “Deus nos ensinou”, É diferente narrar a batalha de afirmar quem a ordenou; Entre o acontecimento e sua interpretação há uma distância, Que uma fé madura pode examinar sem perder sua esperança. (estrofe 10) Hoje leio Josué sem precisar abandonar a reflexão, Mas também sem transformar toda narrativa em revelação; Se a emboscada foi recurso utilizado por homens na guerra, Não preciso atribuir sua técnica ao Deus que Jesus encerra. (ponte) Quanto falhei chamando de conselho divino a astúcia militar, Como se toda habilidade de vencer pudesse o Céu representar; Confundi êxito estratégico com vontade de Deus a se revelar, E fiz da inteligência dos combatentes uma voz do Pai a falar. (refrão) A EMBOSCADA COMO ESTRATÉGIA DIVINA, Não é a imagem do Deus que em Jesus se ilumina; O Pai não precisa ensinar uma cilada para vencer, Pois seu amor não precisa surpreender alguém para prevalecer. (refrão final) Agora descanso em Jesus, Deus eterno, Deus amor, Nele encontro o Pai, sem disfarce, sem terror; Jamais será diferente conosco seu coração, Pois seu amor é constante, sua presença é reconciliação.

