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DEUS NÃO MUDA COMO O HOMEM PENSA

(estrofe 1) Há versos antigos que falam de um Deus que voltou atrás, como quem muda o rumo no curso que a vida faz; mas tais palavras nascem da língua dos mortais, tentando explicar o eterno em símbolos naturais. (estrofe 2) Como um pai que se inclina ao pranto de um filho cansado, assim o texto descreve o divino cuidado; não muda o coração do Deus de eterna bondade, muda a percepção humana diante da realidade. (estrofe 3) A história pinta Deus com cores da emoção, para que o povo entenda a divina intenção; pois a mente limitada procura traduzir o mistério infinito que insiste em existir. (estrofe 4) Quando o texto diz que o Eterno resolveu desistir, ou que sentiu pesar pelo que viu surgir, é o idioma da terra tentando alcançar o silêncio profundo do Deus sem par. (refrão) Deus não muda como o homem imagina mudar, nem aprende com o tempo, nem precisa voltar; mas fala na linguagem do chão onde estamos, para que no mistério sua voz escutamos. (estrofe 5) Como o céu refletido na água de um lago sereno, parece mover-se quando sopra o vento pequeno; mas o firmamento permanece em quietude total, assim é o Eterno além do temporal. (estrofe 6) O coração humano descreve Deus em drama, com gestos que lembram o amor de quem ama; não é mutação do ser divino profundo, mas ponte de sentido para entender o mundo. (estrofe 7) Assim os antigos falaram do eterno Senhor, com metáforas nascidas da dor e do amor; como quem tenta pintar o brilho do sol com tintas simples num frágil lençol. (refrão) Deus não muda como o homem imagina mudar, nem aprende com o tempo, nem precisa voltar; mas fala na linguagem do chão onde estamos, para que no mistério sua voz escutamos. (estrofe 8) A eternidade não cabe no relógio humano, nem se curva ao calendário do engano; por isso a Escritura usa imagens da vida, para narrar a graça que nunca é perdida. (estrofe 9) Quem lê percebe o eco das eras antigas, dos povos que narravam suas lutas e intrigas; mas por trás das palavras moldadas na emoção, permanece constante o divino coração. (estrofe 10) Assim o eterno Deus se deixa contar, na voz de quem tenta seu rosto narrar; e mesmo que a linguagem pareça mudar, seu amor permanece a sempre brilhar. (refrão) Deus não muda como o homem imagina mudar, nem aprende com o tempo, nem precisa voltar; mas fala na linguagem do chão onde estamos, para que no mistério sua voz escutamos.