(estrofe 1) No jardim desperto ao sopro da aurora, Há um segredo no ar a se espalhar, Não se vê, mas encanta quem por ali aflora, É o perfume das flores a nos tocar. (estrofe 2) Sem pedir retorno, sem se guardar, A fragrância se entrega em livre expansão, Como um gesto que aprende a amar Sem medir distância ou condição. (estrofe 3) Viaja invisível por campos abertos, Abraça o vento em doce união, E encontra caminhos, ainda que incertos, Para florescer no outro o coração. (estrofe 4) Atrai a vida em dança sutil, Abelhas, cores e sons a vibrar, É convite suave, linguagem gentil, Que ensina sem voz o dom de doar. (refrão) Perfume que nasce sem se conter, Doce presença que insiste em ficar, Quem vive aprendendo a se oferecer Faz da própria vida um jardim a exalar. (estrofe 5) Não escolhe rostos nem direção, Espalha-se livre em qualquer lugar, É generosidade em forma de canção Que o invisível insiste em cantar. (estrofe 6) Mesmo na flor que ninguém vê, O aroma cumpre sua missão, Pois dar-se ao mundo é o que faz viver A essência profunda da criação. (estrofe 7) E quando o tempo leva a cor, E a pétala ao chão vai cair, Fica no ar o rastro de amor Que nem a ausência consegue extinguir. (refrão) Perfume que nasce sem se conter, Doce presença que insiste em ficar, Quem vive aprendendo a se oferecer Faz da própria vida um jardim a exalar. (estrofe 8) Assim também o ser humano floresce, Quando vive além do próprio querer, Pois o que se doa jamais se esquece, Permanece no outro a renascer. (estrofe 9) O gesto simples que o tempo não vê, Pode no mundo inteiro ecoar, Como um perfume que insiste em viver Mesmo depois de quem o exalar. (estrofe 10) E no fim da jornada que o vento conduz, Não são as formas que vão ficar, Mas o aroma invisível da luz Que a alma escolheu compartilhar. (refrão) Perfume que nasce sem se conter, Doce presença que insiste em ficar, Quem vive aprendendo a se oferecer Faz da própria vida um jardim a exalar.