
(Estrofe 1) Nos códigos antigos da tradição, erguia-se a cerca da separação, Levítico quinze falava então de impureza no fluxo da menstruação. (Estrofe 2) Dias de silêncio, distância e temor, como se o corpo carregasse um erro interior, e o ciclo da vida, tão natural, tornava-se peso ritual. (Estrofe 3) A mulher, marcada pelo próprio viver, via-se impedida de conviver, como se o sangue da criação fosse sombra na devoção. (Estrofe 4) Mas no caminho em que Cristo passou, uma mulher cansada se aproximou, tocou-lhe o manto com fé e dor, buscando no Mestre algum favor. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová da exclusão, que transforma o corpo em condenação, Teu amor não levanta barreira fria, chamas de “filha” quem a lei afastaria. (Estrofe 5) Doze anos de lágrimas escondidas, doze anos de portas proibidas, mas naquele toque de esperança nasceu para a alma nova confiança. (Estrofe 6) Jesus parou no meio da multidão, não para acusar ou impor punição, mas para olhar com ternura e verdade aquela vida ferida pela sociedade. (Estrofe 7) “Filha”, Ele disse com doce calor, palavra que restaura o valor, e o que era vergonha na tradição tornou-se milagre de libertação. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová da exclusão, que transforma o corpo em condenação, Teu amor não levanta barreira fria, chamas de “filha” quem a lei afastaria. (Estrofe 8) Assim o toque que parecia transgressão revelou nova compreensão, pois o sagrado não teme o viver nem rejeita quem busca renascer. (Estrofe 9) O corpo humano, com seus ciclos naturais, não carrega culpa ou sinais fatais, é templo vivo da criação onde pulsa a divina intenção. (Estrofe 10) E compreendo, ao reler a história, que muitas leis nasceram da memória de culturas marcadas por temor mais do que pela plenitude do amor. (Ponte) Perdoa, Senhor, minha antiga visão, que fez da pureza rígida religião, preguei distância onde havia compaixão, e não vi Teu rosto na restauração. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová da exclusão, que transforma o corpo em condenação, Teu amor não levanta barreira fria, chamas de “filha” quem a lei afastaria. (Refrão Final) Agora descanso em Ti, Jesus-Amor, teu Reino floresce em graça e favor, sei que jamais negarias acolhida, pois Deus é amor que protege a vida.

