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QUEIMADAS E PERSEGUIÇÃO DE “BRUXARIA”

(estrofe 1) Nas praças erguiam fogueiras de “purificação”, Onde o medo vestia a máscara da devoção. Chamavam de “santa” a chama que queimava vidas, E a cruz era usada pra ocultar feridas. (estrofe 2) Mulheres sábias, chamadas de bruxas e demônios, Pagavam com o fogo seus dons e testemunhos. Sabiam das ervas, das luas e do vento, Mas foram silenciadas pelo falso mandamento. (estrofe 3) A Igreja aliava-se ao poder da coroa, Usando a Bíblia como espada que ecoa. A fé se tornava tribunal de sentença, E o medo vestia a toga da crença. (refrão) Cristo nunca acendeu fogueiras, Nem mandou ferir companheiras. O amor é sua única doutrina, A paz, sua eterna sina. (estrofe 4) Em aldeias e vilas, o terror se espalhou, Quando a “fé dos santos” a razão apagou. Homens gritavam “Glória” entre chamas e dor, Matando em nome de um Deus que é amor. (estrofe 5) As cinzas das justas voaram no ar, Mas sua memória não pôde queimar. Cada grito calado virou oração, Pedindo justiça à nova geração. (refrão) Cristo nunca acendeu fogueiras, Nem mandou ferir companheiras. O amor é sua única doutrina, A paz, sua eterna sina. (estrofe 6) Hoje o tempo revela o que a fé escondeu, Que a mão da Igreja também feriu o que era Seu. Pois Jesus caminhou com mulheres e ternura, Não as condenou — curou-as de amargura. (estrofe 7) Se há verdade no fogo, é a do Espírito que aquece, Não o fogo da culpa, mas o amor que enobrece. Que as chamas da injustiça nunca mais se acendam, E que os corações, no perdão, se entendam. (refrão) Cristo nunca acendeu fogueiras, Nem mandou ferir companheiras. O amor é sua única doutrina, A paz, sua eterna sina.