(estrofe 1) Sob a pele azul do imenso oceano, Há um jardim que não se pode ouvir, Colorido silêncio, delicado e arcano, Onde a vida aprende em segredo a existir. (estrofe 2) Ramos de pedra que parecem flor, Tecem abrigos de formas sem igual, E no fundo escondem um mundo em vigor Que pulsa discreto no reino abissal. (estrofe 3) Peixes deslizam em dança leve, Como pensamentos soltos no mar, E o coral, paciente, sustenta e escreve O equilíbrio que insiste em durar. (estrofe 4) Não há aplauso no fundo profundo, Nem voz que celebre sua construção, Mas nele se firma a vida do mundo Em silenciosa cooperação. (refrão) Ó coral escondido no ventre do mar, Jardim que floresce sem nunca falar, Ensinas que a vida aprende a se dar No gesto invisível de sustentar. (estrofe 5) Cada colônia se ergue unida, Milhares de seres em um só labor, Mostrando que a força da própria vida Se faz na partilha de ser e de cor. (estrofe 6) A luz que desce em fios delicados Toca seu corpo em suave esplendor, E o que parecia frio e parado Revela-se fonte de múltiplo amor. (estrofe 7) Tempestades passam na superfície agitada, Mas no fundo persiste a construção, Pois a vida que cresce entrelaçada Aprende a resistir na união. (refrão) Ó coral escondido no ventre do mar, Jardim que floresce sem nunca falar, Ensinas que a vida aprende a se dar No gesto invisível de sustentar. (estrofe 8) Pequenos organismos, quase esquecidos, Erguem cidades de rara beleza, Provando que sonhos compartilhados São a base viva da natureza. (estrofe 9) E mesmo ameaçado pelo tempo moderno, O coral insiste em permanecer, Como um sussurro profundo e eterno Que pede ao mundo aprender a viver. (estrofe 10) Assim também a alma humana floresce Quando aprende a cuidar sem querer dominar, Pois a grandeza que o amor oferece É sustentar sem precisar brilhar. (refrão) Ó coral escondido no ventre do mar, Jardim que floresce sem nunca falar, Ensinas que a vida aprende a se dar No gesto invisível de sustentar.