
(estrofe 1) No colo antigo começou meu caminhar, Onde aprendi, sem livros, o verbo amar; Cabia o universo no pequeno quintal, E cada manhã parecia sempre imortal. (estrofe 2) O cheiro do café surgia ao despertar, Misturado ao pão que fazia sonhar; As vozes da casa bordavam proteção, Tecendo esperança dentro do coração. (estrofe 3) As portas abertas sorriam sem temor, O tempo era lento, perfumado de flor; Brinquedos singelos venciam qualquer dor, E o riso era rei naquele reino de amor. (estrofe 4) Meu mundo era feito de poucos lugares, Mas neles cabiam milhares de mares; A infância pintava o impossível de cor, Transformando o comum em eterno esplendor. (refrão) Tenho saudades de mim naquele amanhecer, Das primeiras raízes que me ensinaram a viver; Do lar, do colo e dos sonhos que o tempo não desfaz, Pois dentro dessas memórias ainda encontro minha paz. (estrofe 5) A chuva cantava nas telhas do quintal, E havia poesia no gesto mais banal; O vento trazia promessas pelo chão, Plantando ternura em cada estação. (estrofe 6) As noites guardavam estrelas de veludo, Enquanto o silêncio dizia quase tudo; Dormia tranquilo sem medo do amanhã, Abraçado à esperança da luz da manhã. (estrofe 7) O abraço dos meus era porto e direção, Fortaleza discreta da minha formação; Cada conselho, mesmo simples de dizer, Virou alicerce do meu florescer. (refrão) Tenho saudades de mim naquele amanhecer, Das primeiras raízes que me ensinaram a viver; Do lar, do colo e dos sonhos que o tempo não desfaz, Pois dentro dessas memórias ainda encontro minha paz. (estrofe 8) Corria descalço seguindo um passarinho, Achando infinito o menor dos caminhos; As tardes sorriam em dourada claridade, Sem medir relógios nem contar a idade. (estrofe 9) Cada cheiro guardava um pedaço de emoção, Como páginas vivas gravadas no coração; As paredes da casa sabiam escutar, Os segredos felizes do meu despertar. (estrofe 10) Hoje compreendo o valor da simplicidade, Que constrói silenciosa a verdadeira felicidade; As primeiras raízes sustentam meu porvir, E ensinam minha alma novamente a florir. (ponte) Lamento os dias em que quis abandonar, A criança que sonhava sem medo de errar; Troquei tantas vezes o encanto pela pressa, Esquecendo que o amor é a maior riqueza. (refrão) Tenho saudades de mim naquele amanhecer, Das primeiras raízes que me ensinaram a viver; Do lar, do colo e dos sonhos que o tempo não desfaz, Pois dentro dessas memórias ainda encontro minha paz. (refrão final) Hoje abraço quem sou com sincero coração, Escolho a alegria como permanente direção; Mesmo quando a tristeza vier me visitar, Eu me amo, sigo em frente e volto sempre a sonhar.

