(estrofe 1) Ser discernido é olhar além da aparência, Quando o brilho tenta a verdade esconder. É dar à consciência tempo e paciência Para entender antes de escolher. (estrofe 2) É não chamar de certo aquilo que convém, Nem transformar desejo em direção. É perguntar se o passo que se tem Também faz bem ao outro coração. (estrofe 3) Ser discernido é pesar cada caminho, Como quem observa a bússola e o mar. Nem toda estrada oferece um bom destino, Nem todo vento merece navegar. (estrofe 4) É procurar, no meio das certezas, O espaço humilde para refletir. Pois há decisões vestidas de beleza Que podem afastar em vez de unir. (refrão) Discernir é deixar o amor iluminar Aquilo que a pressa não consegue ver. É escolher um jeito justo de caminhar E perguntar: isto ajuda alguém a viver? (estrofe 5) É separar o grito da verdade, A força da violência, a razão da vaidade. É perceber que nem toda liberdade Produz respeito, cuidado e dignidade. (estrofe 6) Ser discernido é escutar diferentes vozes, Sem entregar a elas todo o pensar. É recolher perguntas, medos e hipóteses E, com prudência, aprender a avaliar. (estrofe 7) É como quem acende uma lanterna Para atravessar a noite devagar. Não elimina a escuridão inteira, Mas mostra onde é seguro colocar. (refrão) Discernir é deixar o amor iluminar Aquilo que a pressa não consegue ver. É escolher um jeito justo de caminhar E perguntar: isto ajuda alguém a viver? (estrofe 8) É desconfiar do orgulho travestido De convicção que não aceita escutar. Quem pensa já saber todo o sentido Talvez não consiga mais enxergar. (estrofe 9) Ser discernido é unir mente e sentimento, Sem fazer de um deles o único juiz. É deixar que cada novo pensamento Pergunte qual caminho constrói mais raiz. (estrofe 10) É descobrir, depois de muita escolha, Que o bem não precisa de ostentação. Às vezes, ele é simples como uma folha Que oferece sombra em plena imensidão. (refrão) Discernir é deixar o amor iluminar Aquilo que a pressa não consegue ver. É escolher um jeito justo de caminhar E perguntar: isto ajuda alguém a viver?