
Vou pegar minha mala, E sumir deste Brasil, Pois senti passar a bala Num cenário tão hostil. Esse golpe tão sutil Me causou repulsa infinda; Pôs em risco a minha vida, Fez-me abandonar a trama De um país que afunda em lama Com podridão que não finda. Levo a dor no meu caminho, Mas não deixo de lutar; Mesmo quando estou sozinho, Sigo firme sem parar. Vou pegar minha cela, Meu cavalo troteador, Cavalgar atrás da estrela Que conduz ao meu amor. Vou deixar pra trás a dor Desta pátria tão ferida, Que hoje segue oprimida Por um mando que é injusto, Cego, frio, sempre astuto, Fechando os olhos da vida. Se a esperança ainda chama, Vou ouvir seu resplendor; Mesmo em meio à densa lama, Há sementes de valor. Vou pegar minha bandeira E hastear noutro destino; Minha verve é verdadeira Como a fé do meu menino. Recordar o velho hino No pátio da escola, o canto Que servia de acalanto E elevava o coração, Celebrando a tradição De um povo digno de encanto. Se o destino é incerto agora, Não me deixo sucumbir; Quem resiste, como agora; Sempre aprende a prosseguir.

