
(estrofe 1) Não foram somente pessoas que o relato fez perecer, Também os animais foram alcançados pelo mesmo proceder; Até a vida sem voz pareceu condenada a desaparecer, E eu pergunto diante de Cristo: isso Deus poderia querer? (estrofe 2) O gado, os rebanhos, criaturas do campo e do chão, Entraram na sentença imposta pela antiga narração; Seres que jamais escolheram participar daquela oposição, Foram envolvidos pela lógica humana de uma destruição. (estrofe 3) O animal não conhecia bandeira, fronteira ou rivalidade, Não arquitetava ataques, não professava inimizade; Sua existência simplesmente seguia o curso da naturalidade, Mas acabou atingida pela violência de uma coletividade. (estrofe 4) Jesus contempla os seres que vivem sob o céu, Fala dos pardais que não passam despercebidos ao Pai fiel; E se nenhuma criatura escapa do cuidado daquele que é fiel, Como imaginar no massacre dos animais o seu querer cruel? (refrão) A DESTRUIÇÃO DOS ANIMAIS NÃO É O DEUS DE JESUS, NÃO É O PAI QUE O EVANGELHO EM SUA BONDADE NOS CONDUZ; A VIDA NÃO É DESCARTÁVEL PARA O DEUS QUE CRISTO PRODUZ, E ATRIBUIR-LHE ESSA MORTE É UM ACRÉSCIMO QUE A TRADIÇÃO CONDUZ. (estrofe 5) Na guerra antiga, destruir podia significar vitória completa, Como se nada pudesse sobreviver da antiga contenda inquieta; Até o animal tornou-se parte daquela lógica concreta, Mas o amor de Deus não precisa transformar vida em meta. (estrofe 6) Há no Gênesis uma criação chamada boa pelo Criador, E no Salmo cento e quatro, a vida pulsa em seu esplendor; O mundo não aparece somente como cenário do vencedor, Mas como uma teia de criaturas sustentadas pelo Senhor. (estrofe 7) Quando Jonas se entristece porque Nínive não pereceu, Deus menciona até os animais no argumento que ofereceu; Se até o gado entra na compaixão que o próprio texto concebeu, Que estranho seria um Deus destruir aquilo que preservou. (refrão) A DESTRUIÇÃO DOS ANIMAIS NÃO É O DEUS DE JESUS, NÃO É O PAI QUE CONHEÇO QUANDO O EVANGELHO ME CONDUZ; O CRIADOR NÃO PRECISA DE MORTANDADE PARA MOSTRAR SUA LUZ, E A MORTE DOS ANIMAIS NÃO DEVE SER CHAMADA DE OBRA QUE JESUS PRODUZ. (estrofe 8) Talvez a guerra tenha sido narrada com linguagem totalizante, Para mostrar ao povo uma vitória absolutamente triunfante; Mas transformar essa linguagem em decreto divino permanente É fazer da perspectiva humana uma verdade eternamente vinculante. (estrofe 9) Paulo escreve que a criação geme aguardando libertação, Como quem participa conosco da esperança da redenção; Não é mero objeto perdido numa antiga equação, Mas parte do mundo que espera a renovação. (estrofe 10) Por isso, diante dos animais atingidos pela destruição, Eu separo o testemunho antigo da minha definição; Não preciso atribuir ao Deus de Jesus aquela devastação, Se o próprio Cristo me conduz ao cuidado, à vida e à compaixão. (ponte) Quanto errei chamando santidade aquilo que feria a criação, Como se defender cada palavra impedisse qualquer reflexão; Eu não percebia que rever antigas ideias também pode ser conversão, E que a fé em Jesus me chama à responsabilidade diante de toda a criação. (refrão) A DESTRUIÇÃO DOS ANIMAIS NÃO É O DEUS DE JESUS, NÃO É O PAI QUE O CRISTO REVELA E PARA O AMOR NOS CONDUZ; SE A MORTE DE CRIATURAS FOI CHAMADA DE VONTADE DIVINA, EU A RECONHEÇO COMO ACRÉSCIMO HUMANO À ANTIGA LEITURA RELIGIOSA. (refrão final) Agora descanso em Jesus, Deus de eterno amor, Jamais diferente disso conosco, seja qual for a nossa dor; Nele vejo o Pai que acolhe toda vida com ternura e esplendor, E descanso nesta certeza: Deus é amor, jamais destruidor

