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NÃO CUIDAR DO PRÓPRIO CORPO E MENTE

(estrofe 1) Se eu deixo o meu corpo jogado ao cansaço, E a mente perdida em ruído e pressão, Minha força se esvai no próprio embaraço, Vira sombra frágil, sem direção. (estrofe 2) Quem ignora o sono, a lágrima e a fome, Constrói sobre areia seu próprio vigor, É chama que apaga antes que some, É fonte que seca sem dar seu frescor. (estrofe 3) Não cuido das dores, disfarço o tormento, Sorriso forçado pintado na face, Mas dentro de mim desaba o sustento, E a luz que eu teria já nasce sem classe. (refrão) Se quero ser luz a brilhar no caminho, Preciso acender-me primeiro por dentro, Cuidar do meu chão, do meu ninho, Pra ser farol firme no meio do vento. (estrofe 4) A mente cansada distorce a verdade, O corpo exausto tropeça na ação, Sem zelo comigo não há caridade, Só peso e culpa no coração. (estrofe 5) É como um violão de cordas partidas, Que tenta entoar harmonia e calor, Sem ajuste fino nas próprias feridas, Só range tristeza no lugar do amor. (refrão) Se quero ser luz a brilhar no caminho, Preciso acender-me primeiro por dentro, Cuidar do meu chão, do meu ninho, Pra ser farol firme no meio do vento. (estrofe 6) O peito abafado não salva ninguém, Nem braços sem força sustentam o irmão, Primeiro é preciso regar o jardim que se tem, Pra depois oferecer flor e pão. (estrofe 7) Cuidar de mim mesmo não é egoísmo, É base segura de toda missão, Quem sara a si rompe o abismo, E estende ao mundo a própria mão. (refrão) Se quero ser luz a brilhar no caminho, Preciso acender-me primeiro por dentro, Cuidar do meu chão, do meu ninho, Pra ser farol firme no meio do vento.