
(estrofe 1) Jericó aparece cercada, esperando a decisão, E o texto atribui ao céu a queda daquela fortificação; Mas quando olho para Jesus, encontro outra direção: Deus não precisa de ruínas para afirmar sua dimensão. (estrofe 2) Sete voltas foram dadas ao redor daquela muralha, Até que o grito coletivo anunciasse a batalha; A cidade caiu, segundo a narrativa que se espalha, Mas Cristo não transforma o inimigo em alvo de sua navalha. (estrofe 3) A queda dos muros podia ser apenas uma vitória terrestre, Como tantas disputas que a história humana registra e oferece; Porém, atribuí-la à vontade divina, como se o próprio Deus ferisse, É transformar o conflito dos homens naquilo que o céu prescreve. (estrofe 4) Não vejo em Jesus um Salvador que conquiste pela pressão, Nem que precise demonstrar seu poder destruindo uma nação; Ele entra nas casas, conversa, perdoa e oferece restauração, E faz do coração transformado sua verdadeira construção. (refrão) JERICÓ ENTREGADA PARA DESTRUIÇÃO, NÃO FOI O DEUS DE JESUS QUEM EXIGIU TAL DESTRUIÇÃO; SE CRISTO REVELA O PAI EM AMOR E PERDÃO, VEJO AQUI UM ACRÉSCIMO HUMANO, NÃO DIVINA INTENÇÃO. (estrofe 5) Talvez o narrador tenha lido a vitória com os olhos de seu tempo, Onde vencer significava provar que Deus estava no movimento; Assim, o triunfo militar ganhou sagrado revestimento, E a guerra passou a parecer confirmação do mandamento. (estrofe 6) Há também uma diferença entre vencer e destruir, Entre superar uma ameaça e fazer uma cidade sucumbir; Jesus ensina outro modo de o Reino surgir: Ganhar o adversário pelo amor, em vez de fazê-lo partir. (estrofe 7) Quando um povo vence, costuma procurar uma explicação, E frequentemente coloca seu sucesso sob proteção da religião; Jericó pode ter recebido essa interpretação em sua tradição, Até que a memória da batalha se tornasse revelação. (refrão) JERICÓ ENTREGADA PARA DESTRUIÇÃO, NÃO FOI O DEUS DE JESUS QUEM EXIGIU TAL DESTRUIÇÃO; O PAI QUE CRISTO MOSTRA NÃO CELEBRA A ANIQUILAÇÃO, E O AMOR NÃO PRECISA DE CADÁVERES PARA PROVAR SUA AÇÃO. (estrofe 8) Jesus atravessou fronteiras que separavam gente de gente, Tratou o estrangeiro com dignidade, acolheu o diferente; Seu Reino não precisava de cidade alguma caída à sua frente, Pois sua conquista acontecia no interior de cada mente. (estrofe 9) Jericó pode representar uma memória de antigo combate, Mas não preciso chamar Deus de autor de cada abate; Posso reconhecer o relato, sem transformar violência em mandato, E deixar que Jesus revele o Pai sem reproduzir aquele retrato. (estrofe 10) Se o texto diz que Deus entregou a cidade para perecer, Minha fé em Jesus permite novamente esse texto reler; Não nego aquilo que está escrito, mas posso diferente compreender: Nem tudo que os homens atribuíram a Deus precisa de Deus proceder. (ponte) Quanto falhei ao fazer de antigas narrativas minha explicação, Confundindo memória religiosa com absoluta revelação; Hoje percebo que minha leitura também precisava de conversão, Pois seguir Jesus exige deixar o próprio entendimento sob transformação. (refrão) JERICÓ ENTREGADA PARA DESTRUIÇÃO, EU NÃO MAIS CHAMAREI ESSA RUÍNA DE DIVINA DECISÃO; O DEUS REVELADO EM JESUS NÃO SE CONFUNDE COM ANIQUILAÇÃO, E ONDE HOUVER CONTRADIÇÃO, RECONHEÇO O ACRÉSCIMO HUMANO À TRADIÇÃO. (refrão final) Agora descanso em Jesus, Deus de amor e compaixão, Jamais diferente disso conosco, em nenhuma situação; Se Ele revela o Pai, nele encontro minha definitiva direção: DEUS É AMOR, E O AMOR JAMAIS PRECISA DA DESTRUIÇÃO.

