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A TERRA COMO POSSE DIVINA

(estrofe 1) Disseram-me: “Esta terra Deus vos deu”, E eu vi naquele chão um selo celestial; Pensei que um território pertencesse a Deus Somente por habitar um povo nacional. (estrofe 2) Confundi a promessa com escritura, E o mapa transformei em revelação; Não percebi que a fé pode criar moldura Para justificar humana apropriação. (estrofe 3) A terra virou quase um documento, Com fronteiras traçadas pela religião; E quem estivesse fora daquele argumento Parecia ocupar o lugar de um ladrão. (estrofe 4) Mas Jesus ampliou o horizonte humano, E fez do próximo alguém a acolher; Não ensinou a possuir o chão do outro, Mas ensinou a servi-lo e a compreender. (refrão) A TERRA NÃO É POSSE DIVINA DE UM POVO! Deus não transforma fronteiras em exclusão; Em Jesus, cada ser humano tem valor novo, E o amor não reconhece dono para a criação! (estrofe 5) “Meu povo” deixou de ser uma fronteira, Quando Cristo abraçou quem vinha de além; A mesa do Reino tornou-se verdadeira Quando o estrangeiro também encontrou alguém. (estrofe 6) O mundo não cabe dentro de uma bandeira, Nem Deus se aprisiona num pedaço de chão; Sua presença não é propriedade brasileira, Hebraica, romana ou de qualquer nação. (estrofe 7) Eu pensei que o solo pudesse ser sagrado Porque alguém dizia: “Deus o entregou”; Mas Jesus mostrou que o templo verdadeiro É a vida humana que o amor restaurou. (refrão) A TERRA NÃO É POSSE DIVINA DE UM POVO! Deus não transforma fronteiras em exclusão; Em Jesus, cada ser humano tem valor novo, E o amor não reconhece dono para a criação! (estrofe 8) Até o estrangeiro entrou na sua história, Como aquele que também podia pertencer; Jesus transformou a diferença em memória De que ninguém nasceu destinado a perder. (estrofe 9) Se Deus é Pai, não pode haver irmãos Com direito sagrado de excluir seus iguais; Nenhum mapa deveria separar corações, Nem fazer de fronteiras sentenças finais. (estrofe 10) Hoje olho a terra com outros olhos, Senhor, Não como prêmio reservado a uma nação; O chão é casa de todos, e a vida tem valor, E ninguém possui teu mundo por concessão. (ponte) Quanto tempo defendi mapas como decretos, Confundindo território com tua eternidade; Fiz da geografia uma prova dos teus afetos, Sem perceber a universalidade da tua bondade. (refrão) A TERRA NÃO É POSSE DIVINA DE UM POVO! Deus não transforma fronteiras em exclusão; Em Jesus, cada ser humano tem valor novo, E o amor não reconhece dono para a criação! (refrão final) Agora descanso em Jesus, meu Salvador, Nele encontro o Pai sem fronteira ou divisão; Se Deus é amor, jamais será Senhor De uma terra exclusiva contra outra criação.