
(estrofe 1) Há uma praça onde cabem muitas vozes, muitas crenças, descrenças, convicções; quando um altar decide quais são as escolhas, a praça perde suas próprias dimensões. (estrofe 2) O Estado não nasceu para ter credo, nem a lei para rezar por uma nação; sua tarefa é proteger o direito de cada consciência em sua direção. (estrofe 3) Laicidade não é guerra contra a fé, nem pretende apagar Deus do coração; é garantir que ninguém seja obrigado a viver conforme a crença de um irmão. (estrofe 4) Quando uma doutrina ocupa a repartição, e a consciência alheia vira transgressão, o cidadão deixa de ser cidadão e passa a ser súdito da religião. (refrão) Que a fé seja livre, sem virar algema, que o Estado proteja cada convicção; Jesus não ensinou a governar consciências, mas a amar o próximo com o coração. (estrofe 5) Na Constituição há uma promessa: ninguém deve perder direito por crer; a liberdade também protege aquele que escolhe não rezar, não se submeter. (estrofe 6) Se a maioria religiosa faz sua lei valer também para quem não compartilha, a democracia perde o próprio freio e a diferença fica fora da família. (estrofe 7) Jesus encontrou samaritanos, romanos, gente impura aos olhos da tradição; não transformou diferença em inimigo, nem fez da fé instrumento de exclusão. (refrão) Que a fé seja livre, sem virar algema, que o Estado proteja cada convicção; Jesus não ensinou a governar consciências, mas a amar o próximo com o coração. (estrofe 8) A César, disse Jesus, o que é de César, e a Deus aquilo que pertence a Deus; há fronteiras que preservam justamente a liberdade dos filhos e dos seus. (estrofe 9) Quem pode falar na praça também pode defender seus valores e sua visão; mas convencer é diferente de obrigar, e maioria não é dona da razão. (estrofe 10) Que nenhuma igreja peça ao governo a força que a própria fé não conseguiu; pois quando a verdade precisa de decreto, o testemunho talvez já se perdeu. (refrão) Que a fé seja livre, sem virar algema, que o Estado proteja cada convicção; Jesus não ensinou a governar consciências, mas a amar o próximo com o coração.

