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A IDEIA DE QUE “NADA RESTOU”

V6-MINI

(estrofe 1) Nas páginas de Josué a vitória é proclamada, Com palavras que parecem não deixar exceção; A derrota do inimigo surge como consumada, E “nada restou” encerra a afirmação. (estrofe 2) Mas a linguagem antiga conhecia o exagero, Para engrandecer conquistas e celebrar o vencedor; Dizer “todos” podia expressar domínio inteiro, Sem ser necessariamente um relatório do horror. (estrofe 3) Quando um rei dizia ter vencido todo um país, Nem sempre cada pessoa havia sido alcançada; A linguagem celebrava aquilo que o poder diz, Com a força retórica de uma vitória consagrada. (estrofe 4) Assim, uma frase de guerra pode ter dimensão, De louvor ao triunfo, de memória e celebração; Não precisa transformar cada palavra de exaltação Em contagem literal de cadáveres no chão. (refrão) A IDEIA DE QUE “NADA RESTOU” NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, “Tudo destruído” pode ser linguagem de vitória e exaltação; Jesus não transforma hipérbole militar em voz da cruz, Nem faz da eliminação de povos a medida da salvação. (estrofe 5) A própria sequência bíblica levanta outra questão: Se literalmente ninguém tivesse permanecido ali, Como explicar povos encontrados depois na região, Quando outros relatos voltam a falar deles por aqui? (estrofe 6) O próprio livro, em diferentes momentos, apresenta Grupos que ainda aparecem depois da conquista; A leitura literal de cada fórmula se confronta Com a própria narrativa que novamente os registra na pista. (estrofe 7) Isso não exige negar o conflito ou sua dimensão, Nem transformar o relato antigo em simples invenção; Permite reconhecer a força de sua expressão Sem confundir linguagem de guerra com documentação. (refrão) A IDEIA DE QUE “NADA RESTOU” NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, “Tudo destruído” pode ser linguagem de vitória e exaltação; Jesus não transforma hipérbole militar em voz da cruz, Nem faz da eliminação de povos a medida da salvação. (estrofe 8) Jesus também emprega imagens de grande intensidade, Como o camelo e a agulha, a trave e o argueiro; A força da figura não diminui sua verdade, Mas mostra que nem sempre a frase é cálculo certeiro. (estrofe 9) Se reconheço figuras fortes na própria tradição, Não preciso transformar cada expressão em literalidade; Posso ler “nada restou” como linguagem de afirmação, Sem colocar no coração de Deus essa crueldade. (estrofe 10) E assim descanso diante desse antigo dizer, Sem obrigar minha fé a defender cada expressão; Posso estudar o texto, seu gênero e seu saber, E deixar Jesus julgar sua interpretação. (ponte) Quanto falhei por defender como relatório cada palavra de guerra, Sem perguntar se havia ali linguagem, memória, figura e celebração; Fiz da hipérbole antiga uma sentença descida sobre a terra, E coloquei sobre o Deus de Jesus o peso de uma literalização. (refrão) A IDEIA DE QUE “NADA RESTOU” NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, A linguagem de triunfo não define o Pai do Salvador; O texto pode exagerar a vitória sem mudar a luz, Pois Jesus continua revelando o Deus perfeito amor. (refrão final) Agora eu descanso em Jesus, Deus de perfeito amor, Sem precisar fazer da linguagem antiga uma prisão; Ele é o rosto do Pai, meu eterno Salvador, E jamais será diferente conosco seu coração.