
(estrofe 1) Se a fé transforma cada gesto em obrigação, E cada detalhe pode gerar condenação, O coração se esconde atrás da prescrição, E o sagrado se perde no excesso de pressão. (estrofe 2) Há ritos que ajudam a memória a florescer, Há símbolos que ensinam aquilo que não se vê; Mas nenhum costume deveria fazer alguém temer Que Deus rejeita sua vida por não cumprir um proceder. (estrofe 3) Como ponte que serve para alguém atravessar, A regra tem sentido quando ajuda a caminhar; Mas vira muralha quando começa a impedir Que a pessoa encontre liberdade para existir. (estrofe 4) Não é a quantidade de gestos que mede a devoção, Nem o peso das normas que revela santidade; Uma prática exterior pode esconder o coração, Enquanto um gesto simples revela sinceridade. (refrão) Que o rito seja caminho, não prisão, Que a regra seja auxílio, não terror; Que a fé não transforme Deus em fiscalização, Nem confunda obediência com medo e dor. (estrofe 5) Há quem conte os passos, as horas e as maneiras, Como se o céu dependesse de minucioso ritual; Mas Deus não precisa de performances perfeitas, Quando o coração busca o bem de modo real. (estrofe 6) Paulo conheceu tradições, costumes e prescrições, Mas ensinou que a consciência também precisava respirar; Nem toda prática deve governar outras consciências, Nem toda diferença precisa provocar julgar. (estrofe 7) Uma comunidade pode preservar sua tradição, Sem transformar seu costume em medida universal; O símbolo pode unir sem impor submissão, E a celebração pode ser livre sem virar tribunal. (refrão) Que o rito seja caminho, não prisão, Que a regra seja auxílio, não terror; Que a fé não transforme Deus em fiscalização, Nem confunda obediência com medo e dor. (estrofe 8) Quando a criança aprende que Deus vive a vigiar, Cada pequeno erro pode parecer condenação; Mas uma espiritualidade madura pode ensinar Que responsabilidade não precisa nascer do pavor no coração. (estrofe 9) O sábado nasceu para servir à humanidade, E não para fazer da vida uma carga sem fim; Quando o instrumento domina sua finalidade, Até uma bênção pode perder o sentido assim. (estrofe 10) Defender teologia é também simplificar, Retirar pesos que a história colocou sobre a fé; Deixar que o essencial volte a respirar, E que Deus seja encontrado além do medo e do “é”. (refrão) Que o rito seja caminho, não prisão, Que a regra seja auxílio, não terror; Que a fé não transforme Deus em fiscalização, Nem confunda obediência com medo e dor.

