(estrofe 1) Não jogue sobre o céu aquilo que a mão realizou, Nem diga que foi Deus quem o caminho desviou; Há escolhas humanas cujo efeito começou, E assumir seus próprios atos é crescer no que se tornou. (estrofe 2) Quando alguém pratica o mal e o chama de vontade divina, A responsabilidade humana fica escondida na cortina; Mas nenhuma justificativa torna a injustiça genuína, Nem transforma crueldade em verdade que ilumina. (estrofe 3) O vento pode soprar, mas não escolhe onde plantar, A chuva pode cair, mas não decide quem ferir ou amparar; Também existem circunstâncias que não podemos controlar, Mas nossas decisões revelam como escolhemos caminhar. (estrofe 4) Não culpe o Criador pelo erro da criatura, Nem chame de destino aquilo que nasceu da própria postura; A liberdade exige consciência, prudência e compostura, Pois responder pelos atos também faz parte da maturidade futura. (refrão) Assumir a própria escolha é caminhar com dignidade, É não transformar Deus em álibi da humanidade; Quem reconhece seus erros pode buscar nova realidade, E fazer da responsabilidade uma expressão de liberdade. (estrofe 5) Há dores que ninguém escolhe e não se podem explicar, Há perdas inesperadas que nos fazem perguntar; Mas diante do sofrimento ainda podemos decidir cuidar, Em vez de atribuir ao divino aquilo que podemos transformar. (estrofe 6) Se uma mentira causa dano, não foi o céu quem mentiu, Se uma injustiça nasce, alguém uma escolha assumiu; Quando o homem usa o sagrado para justificar o que feriu, O nome de Deus acaba pagando pelo mal que ele produziu. (estrofe 7) Como o timoneiro responde pelo rumo da embarcação, Quem escolhe determinado caminho deve avaliar sua direção; A fé pode oferecer sentido, esperança e inspiração, Mas não deve substituir consciência, ética e decisão. (refrão) Assumir a própria escolha é caminhar com dignidade, É não transformar Deus em álibi da humanidade; Quem reconhece seus erros pode buscar nova realidade, E fazer da responsabilidade uma expressão de liberdade. (estrofe 8) Há quem diga “Deus mandou” para não se responsabilizar, E use uma voz celeste aquilo que deseja ordenar; Mas discernir é perguntar antes de obedecer ou executar, Se o comando atribuído ao divino produz bem-estar. (estrofe 9) Arrependimento começa quando o erro se reconhece, E a mudança se inicia quando a consciência amadurece; Quem assume a própria culpa não diminui, fortalece, Pois a verdade sobre si é a semente que esclarece. (estrofe 10) Defender a teologia é também responsabilizar, Quem usa o nome de Deus para ferir ou dominar; Pois atribuir ao Criador aquilo que escolhemos praticar, É esconder nossa humanidade em vez de a transformar. (refrão) Assumir a própria escolha é caminhar com dignidade, É não transformar Deus em álibi da humanidade; Quem reconhece seus erros pode buscar nova realidade, E fazer da responsabilidade uma expressão de liberdade