
(estrofe 1) Quando o lucro cresce sobre chão ferido, e o trabalhador recebe só migalha, o templo pode ficar enriquecido, enquanto o pobre continua na batalha. (estrofe 2) Se a riqueza compra silêncio e proteção, e a injustiça recebe bênção e incenso, o ouro começa a pesar na oração, e o altar fica menor que o dinheiro imenso. (estrofe 3) Há mercados que negociam vidas, há contratos que escondem exploração; há fortunas erguidas sobre feridas, enquanto poucos repartem o pão. (estrofe 4) Se a Igreja contempla a engrenagem cruel, sem perguntar quem perdeu para alguém ganhar, sua omissão transforma o próprio céu num teto confortável para não se incomodar. (refrão) Não pode o Evangelho ser moeda, nem a fé servir de escudo ao opressor; se a riqueza cresce onde a vida é esmagada, o amor de Cristo exige justiça e valor. (estrofe 5) Amós ouviu o clamor das praças, contra quem vendia o pobre por dinheiro; denunciou balanças cheias de trapaças, e comércio transformado em cativeiro. (estrofe 6) Tiago também ergueu sua voz, contra o salário retido do trabalhador; riqueza acumulada em favor de poucos não podia esconder o grito do sofredor. (estrofe 7) Quando a igreja se acostuma ao privilégio, e chama de bênção toda acumulação, pode transformar conforto em sortilégio, e confundir prosperidade com salvação. (refrão) Não pode o Evangelho ser moeda, nem a fé servir de escudo ao opressor; se a riqueza cresce onde a vida é esmagada, o amor de Cristo exige justiça e valor. (estrofe 8) Jesus falou de sementes e de terras, mas nunca fez da posse uma divindade; há impérios que parecem fortes como serras, mas não resistem diante da eternidade. (estrofe 9) Economia deve servir à existência, não fazer da existência um instrumento; quando o mercado governa a consciência, o ser humano vira preço, número e rendimento. (estrofe 10) Que a Igreja não perfume a desigualdade, nem chame exploração de prosperidade; que use sua voz em favor da dignidade, e faça da partilha uma expressão de verdade. (refrão) Não pode o Evangelho ser moeda, nem a fé servir de escudo ao opressor; se a riqueza cresce onde a vida é esmagada, o amor de Cristo exige justiça e valor.

