(estrofe 1) À margem do rio crescia sereno, O bambu dançando ao sopro do ar, Nem rígido em excesso, nem fraco e pequeno, Mas sábio no jeito de se inclinar. (estrofe 2) O vento chegava com força apressada, Vergando seus ramos em longa canção, E enquanto a floresta rangia assustada, O bambu respondia com flexão. (estrofe 3) Não lutava contra a força do tempo, Nem erguia orgulho querendo vencer, Pois sabia que há poder no movimento De quem aprende também a ceder. (estrofe 4) Tempestades passavam sobre o vale, Levando galhos partidos ao chão, Mas o bambu, humilde em seu detalhe, Permanecia vivo na imensidão. (refrão) Ó bambu flexível do verde quintal, Que te curvas sem te destruir, Ensina que a força mais essencial É saber dobrar para resistir. (estrofe 5) Raízes profundas guardava escondidas, Bebendo silêncio no ventre do chão, Como almas discretas, porém fortalecidas Pela calma da contemplação. (estrofe 6) Quando o sol dourava a manhã nascente, Seu corpo brilhava em suave esplendor, Como quem descobre serenamente Que a humildade também tem valor. (estrofe 7) Pássaros pousavam em sua leveza, Encontrando abrigo no fino jardim, E o bambu mostrava que a verdadeira grandeza É sustentar vida até o fim. (refrão) Ó bambu flexível do verde quintal, Que te curvas sem te destruir, Ensina que a força mais essencial É saber dobrar para resistir. (estrofe 8) Há homens que quebram na própria dureza, Por não aceitarem mudar direção, Mas o bambu floresce em delicadeza Ao escutar o vento em atenção. (estrofe 9) Seu balanço parece antiga oração, Escrita no ar pela mão natural, Lembrando que a paz do coração Também nasce do gesto cordial. (estrofe 10) E ao deixar aquela mata tranquila, Levei como herança sua lição: Quem aprende humildemente a inclinar-se na vida Descobre mais força na própria existência. (refrão) Ó bambu flexível do verde quintal, Que te curvas sem te destruir, Ensina que a força mais essencial É saber dobrar para resistir.