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O MENINO QUE AINDA MORA EM MIM

(estrofe 1) Há um menino escondido em algum canto do meu ser, Que ainda olha para o mundo com vontade de entender; Pergunta sem medo algum, contempla o céu sem pressa, E encontra em cada detalhe uma inesperada promessa. (estrofe 2) Ele inventava universos com brinquedos pelo chão, Transformava qualquer objeto numa grande invenção; Uma caixa era um castelo, uma cadeira era um trem, E bastava acreditar para existir outro além. (estrofe 3) Ele corria atrás dos dias sem temer o amanhã, Descobria maravilhas numa tarde tão singela; Não precisava de riquezas para sentir satisfação, Pois a própria fantasia lhe bastava como pão. (estrofe 4) Quando via algo diferente, seus olhos queriam saber, E uma simples descoberta já lhe fazia estremecer; O mundo era muito grande, mas cabia em seu olhar, Porque a infância tem coragem de parar para admirar. (refrão) O MENINO QUE AINDA MORA EM MIM, eu quero escutar, Sua alegria espontânea, sua coragem de sonhar; Sua curiosidade acesa não deixarei desaparecer, Pois há coisas da infância que me ensinam a viver. (estrofe 5) Ele fazia perguntas que ninguém podia prever, Queria saber das estrelas, do começo e do porquê; Às vezes uma resposta abria outra indagação, E o mistério era recebido com sincera admiração. (estrofe 6) Ele ria por tão pouco, sem vergonha de sorrir, Encontrava graça nas coisas que hoje posso não sentir; Não carregava o peso de aparentar ser perfeito, E deixava a própria alegria revelar-se sem receio. (estrofe 7) Se caía, levantava com a poeira pelo chão, Se perdia alguma coisa, procurava uma solução; Havia força na esperança que surgia depois da queda, E uma fé quase inocente que nenhuma dor lhe impede. (refrão) O MENINO QUE AINDA MORA EM MIM, eu quero escutar, Sua alegria espontânea, sua coragem de sonhar; Sua curiosidade acesa não deixarei desaparecer, Pois há coisas da infância que me ensinam a viver. (estrofe 8) Hoje conheço tristezas que ele ainda não conhecia, E enfrento responsabilidades que não cabiam em seu dia; Mas não quero que a maturidade me ensine a endurecer, Nem que a experiência roube minha vontade de aprender. (estrofe 9) Quero olhar para as pessoas com surpresa e atenção, Receber o inesperado sem fechar o coração; Conservar alguma infância sem perder maturidade, Pois crescer não significa abandonar a capacidade. (estrofe 10) Se hoje caminho mais longe, foi porque ele caminhou, Com seus sonhos pequeninos, ele muito me ensinou; Tenho saudades do menino que eu fui sem compreender, E hoje abraço o que ele era para continuar a ser. (ponte) Perdoa-me, pequeno, pelas vezes que te escondi, Quando o medo e as cobranças me afastaram de ti; Pensei que ser adulto era esquecer teu jeito de olhar, Mas descobri que amadurecer também é saber preservar. (refrão) O MENINO QUE AINDA MORA EM MIM, eu quero escutar, Sua alegria espontânea, sua coragem de sonhar; Sua curiosidade acesa não deixarei desaparecer, Pois há coisas da infância que me ensinam a viver. (refrão final) Hoje eu amo quem eu sou e abraço o que vivi, Escolho ser uma pessoa alegre e deixo a vida florir; Se a tristeza for legítima, também darei lugar a ela, Mas o menino que mora em mim continuará acendendo a janela.