
(estrofe 1) Na estrada longa de poeira e dor, chegam passos sem pátria nem chão, carregando no peito o ardor de quem perdeu sua antiga nação. (estrofe 2) Batem portas fechadas de ferro, em busca de abrigo e compaixão, mas encontram o eco do erro disfarçado de proteção. (estrofe 3) Alguns templos erguem fronteiras até no gesto de acolher, como se a fé tivesse barreiras para quem tenta sobreviver. (estrofe 4) E o pão que poderia ser partilha vira cálculo de exclusão, enquanto a dor na mesma trilha pede abrigo ao coração. (refrão) Mas o amor não conhece fronteira, nem idioma que impeça o olhar, pois toda vida é companheira que o céu ensina a amparar. (estrofe 5) Há crianças com olhos cansados de tanto atravessar o medo, cujos sonhos foram deixados no meio de um longo enredo. (estrofe 6) E leis que se dizem proteção às vezes vestem indiferença, transformando a compaixão em fria e distante sentença. (estrofe 7) Mas o Evangelho é travessia, ponte viva entre irmão e irmão, onde o estrangeiro é moradia do próprio Deus em ação. (refrão) Mas o amor não conhece fronteira, nem idioma que impeça o olhar, pois toda vida é companheira que o céu ensina a amparar. (estrofe 8) Foi assim que o Mestre caminhou entre povos sem distinção, e no estranho reconheceu a face da redenção. (estrofe 9) Contou de quem socorreu ferido sem perguntar origem ou chão, ensinando que o bem vivido não tem passaporte ou nação. (estrofe 10) Se a fé quiser ser verdadeira no mundo inteiro a florescer, que abrace toda humanidade inteira sem condições para acolher. (refrão) Mas o amor não conhece fronteira, nem idioma que impeça o olhar, pois toda vida é companheira que o céu ensina a amparar.

