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EDIFICAÇÕES LUXUOSAS EM LUGAR DE SERVIÇO

(estrofe 1) Contando o cristianismo... é lembrar quando o mármore brilhou mais que a dor, e torres passaram a disputar a atenção que faltava ao sofredor. (estrofe 2) Pedras subiam rumo ao céu distante, ornadas de vidro e esplendor, enquanto o enfermo, ali adiante, esperava remédio e calor. (estrofe 3) Os sinos cantavam sobre a cidade, ecoando riqueza e projeção, mas nas vielas da necessidade faltava pão sobre a mesa e o chão. (estrofe 4) E muitos confundiram grandeza com altura, luxo e ostentação, esquecendo que a verdadeira beleza nasce do gesto de compaixão. (refrão) Mas Deus não mora no ouro polido, nem no brilho da construção, habita o coração repartido que faz do amor sua habitação. (estrofe 5) Enquanto colunas eram erguidas como cedros buscando o luar, havia crianças desprovidas de livros para sonhar. (estrofe 6) Salões cresciam em arquitetura rara, como palácios de admiração, mas a pobreza permanecia clara nas esquinas da população. (estrofe 7) A fé, que nasceu entre pescadores, sem muralhas de exibição, viu alguns trocarem seus valores pela sedução da exaltação. (refrão) Mas Deus não mora no ouro polido, nem no brilho da construção, habita o coração repartido que faz do amor sua habitação. (estrofe 8) O Carpinteiro de Nazaré não levantou tronos de cristal, mas ensinou que a viva fé floresce no cuidado fraternal. (estrofe 9) Seu templo era a vida ferida, sua liturgia, o acolher, sua riqueza mais querida era o próximo florescer. (estrofe 10) Se a Igreja recordar seu caminho, mais antigo que qualquer mural, verá que Deus faz seu ninho na justiça e no amor real. (refrão) Mas Deus não mora no ouro polido, nem no brilho da construção, habita o coração repartido que faz do amor sua habitação.