
(estrofe 1) Cortaram da vida o vinho, o toque, o conviver, Chamaram de sagrado o ato de se conter, E eu vi naquela entrega um caminho superior, Sem perceber o peso de um distanciado rigor. (estrofe 2) Cabelos cresciam como sinal de devoção, Mas também como marca de uma separação, Como se a distância fosse o jeito de Te achar, E o mundo ao redor não pudesse Te tocar. (estrofe 3) Evitaram o comum, o simples, o cotidiano, Como se o santo estivesse longe do humano, E eu acreditei que para Te alcançar, Era preciso primeiro do mundo me afastar. (estrofe 4) Mas algo inquietava no fundo do meu ser, Se o Deus da vida pede para não viver, Se o Deus do encontro ensina a se isolar, Que tipo de santidade quer me ensinar? (refrão) Perdão Senhor, não és o Deus da separação, Que exige distância como consagração, Em Jesus Cristo vejo a verdade a brilhar, Santidade é amar, é viver, é se doar. (estrofe 5) Então Te vi nas mesas, partilhando o pão, Entre pecadores, sem qualquer rejeição, Teu toque alcançava sem medo de manchar, Pois Tua pureza fazia tudo se transformar. (estrofe 6) Não fugiste da vida, nem do cheiro da dor, Mas entraste em tudo como fonte de amor, E o santo em Ti não era o se afastar, Mas o mergulho profundo no ato de amar. (estrofe 7) Ali percebi que erramos ao pensar, Que Te encontrar exige do mundo escapar, Pois Tua presença não pede divisão, Mas floresce inteira no meio da criação. (refrão) Perdão Senhor, não és o Deus da separação, Que exige distância como consagração, Em Jesus Cristo vejo a verdade a brilhar, Santidade é amar, é viver, é se doar. (estrofe 8) Quantos ainda vivem tentando Te alcançar, Negando a si mesmos sem saber se amar, Pensando que o sagrado exige renunciar, Ao que de mais humano há no respirar. (estrofe 9) Mas Tu não rejeitas o riso ou o sentir, Nem pedes ao homem que deixe de existir, Pois tudo que criaste carrega o Teu valor, E viver plenamente também é Teu louvor. (estrofe 10) Hoje entendo melhor o Teu jeito de ser, Não divides o mundo para Te fazer crescer, Mas estás presente em cada expressão, Transformando o simples em revelação. (ponte) Errei quando chamei de espiritualidade o negar, Quando fiz do isolamento um altar a Te honrar, Quando desprezei a vida achando Te agradar, E não vi que no amor é que posso Te encontrar. (refrão) Perdão Senhor, não és o Deus da separação, Que exige distância como consagração, Em Jesus Cristo vejo a verdade a brilhar, Santidade é amar, é viver, é se doar. (refrão final) Hoje eu me abraço com leveza e verdade, Mesmo em dias cinzentos escolho a liberdade, Aprendo com o tempo a sorrir e aceitar, Que a vida é um presente e merece brilhar. (refrão final) Descanso em Ti, Jesus, Amor essencial, Jamais serias frio, distante ou ritual, Teu ser é presença constante em mim, És Deus que se vive, do começo ao fim.

